terça-feira, 15 de junho de 2010

Vai, Brasil!


Hoje começa, enfim, a Copa do Mundo para nós. Dia de espera e de dedos cruzados. Dia de unhas roídas , de nervos a flor da pele. Uma festa sem saber como vai terminar. Um dia que o país pára, literalmente, e se senta à frente de uma televisão e sofre, calado ou gritante, sendo mais um dos milhões de treinadores que temos em nós. Dia em que não temos vergonha de carregar nossa bandeira, nas casas ou em carros. Dia em que nos vestimos ou pintamos de verde-amarelo. Dia de ser brasileiro.
Revejo a história do Brasil e lembro dos "cara pintadas" de 1992. O movimento conhecido nos livros como Fora Collor , onde milhares de brasileiros , por indignação ou simples farra, saíram às ruas em passeata pedindo a saída do presidente da República, Fernando Collor de Mello. Ou simplesmente Collor para nós, todos, que nos achávamos íntimos, um belo caso de bom marketing pessoal. Fora a corrupção, dizíamos. Abaixo a inflação, gritaram outros. Mas o que pegou mesmo foi o congelamento de nossas contas bancárias.
E lá estávamos - ou estavam, porque eu fiquei na platéia, só admirando - usando nossas cores até nos rostos. E lá estavam todos em marcha. Famílias inteiras em caminhada. A juventude a postos. Todos brigando pacificamente por uma causa.
O que faz de nós brasileiros? Berrar como se cada jogador nos ouvisse? Carregar a bandeira em nossos carros? Pintar nossas caras? Onde estamos quando deveríamos realmente ser brasileiros? Chamando de baderneiros os que pedem justiça. Chamando de desocupados os que ocupam sedes. Fazendo piada de dinheiro nas cuecas e meias. Assistindo do camarote de nossos confortáveis sofás o circo pegar fogo.
Bom se pintássemos a cara contra a má administração. Se realmente discutíssemos sobre cotas e bolsas. Se parássemos o país contra tantos impostos. Bom se fossemos cidadões.
Mas hoje não é dia de melindres. Hoje o Brasil joga. Hoje o país pára. Hoje estamos anestesiados pela esperança de um título a mais. Hoje somos, enfim, um povo só, tentando vencer. Amanhã já não sei. Melhor esperar.

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