sábado, 19 de junho de 2010

Imprevisto


Ontem poderia ter sido uma tarde comum, dessas quaisquer. Mas não. Marquei um encontro com uma amiga de tempos, que há tempos não via . Incrível isso. Moramos na mesma cidade, onde poucas quadras nos separam, e "falamos" mais por e-mail que telefone ou visita. Essa última, coisa rara. São os resquícios da vida dita moderna. Ou a preguiça da pós-moderna.
Primeiro uma conversa ao pé de ouvido para colocar a vida em dia. Falar de filhos, casa, carreira, presente e futuro. Novos problemas e velhos problemas revisitados. Uma forma de entendermos e talvez aceitarmos que todos tem os seus. Um momento de falar e de ouvir. Como se passássemos nossas próprias vidas à limpo. Como se recontar nossa história fosse uma espécie de revisão. Confortável sensação, como se o outro fortalecesse nossas forças. Depois nossa velha e deliciosa saída para ver vitrines, novidades. Um parada aqui, outra ali, comentários e risadas. Terapia.
E, enfim, um café. Momento máximo onde a satisfação do falar mistura-se à satisfação do comer. Primeiro a maravilhosa sensação de isolamento de nosso mundinho. Nós duas, ali, com um tempo só para nós. Entre uma palavra e outra, entre uma emoção lavada e a próxima, o gole de café, quente e doce carinho. Os pasteizinhos assados, a cuca de fubá com côco, delicadezas com gosto de quero mais. A tarde passou, veio a noite e ainda estávamos lá. Na despedida, promessas de novos momentos para relaxar. A tarde foi perfeita, eu diria. Até porque encontrar Juarez Machado em plena luz da tarde me deu uma nova luz. Aquela que me faz continuar.
Disso esquecemos, de que a felicidade se constrói de momentos. Uma conversa boa não esperada, uma gargalhada sem hora marcada, o comentário que nos faz rir , o olho no olho que nos faz chorar.
É, alguém já disse que "a felicidade pode vir de um imprevisto"... Um momento perfeito, também!

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