segunda-feira, 14 de junho de 2010

Mais perto


Começou a ladainha. Por um mês, só o que ouviremos será Copa. Na televisão, de telejornais a programas de auditório, 24h de Copa. Nas ruas, Copa. Nas revistas, Copa.
Até na minha coluna na minha revista, Copa.
Tem um lado bom. Vamos conhecer mais de perto o país sede. Desde pequena, desde os bons tempos em que assistia aos filmes da tarde, quando se fala em África, logo vem à minha mente a caça aos animais, em Jeeps a toda velocidade, armas em punho, safáris em roupas beges e chapéus lindos. Noites enluaradas, fogueiras românticas, romances a luz da lua. Frio da noite, calor da manhã. Seca. Sede. Já na adolescência, apartheid, Mandela nas aulas de História, uma ideia tão longuínqua - e tão absurda para meus olhos ainda infantis - que mais parecia contos de livros antigos. A realidade é outra, ainda com resquícios do aprendido, ao ouvir a repórter relatando sua emoção ao conhecer o museu sobre o assunto. A calçada separada. A cabeça baixa do absurdo. O real transformado em entretenimento, um passeio para os turistas, um reforço na memória dos sobreviventes. Relembrar para não repetir.
Viajar é viver, relembro. Pode ser ali, em frente à televisão, melhor ainda se ao vivo. Pode estar na próxima página do livro. Na esquina nova reconhecida pelo próximo passo. No novo sabor levado à boca. No novo sorriso retribuído, na nova lição recuperada. Viajante sou, reconheço, consciente ou nem sempre. Nas ruas por onde passo, na cidade que me recebe com um abraço. Nas novas calçadas por onde piso, onde vivo a cada passo. Onde me refaço.

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