quarta-feira, 16 de junho de 2010

Mau ou mal?


Está lá no Google, para minha sorte. Uma benção para os desprovidos de boa memória, como eu. Mau é o contrário de bom, mal é o contrário de bem. Então, entendo que o lobo é mau, para que eu não fique mal na fita. E é do mal. (bom, depende do lobo -risos). Eu, graduada e pós-graduanda, caio nessas - e não nestas - pegadinhas. Antes, incomodava-me errar, hoje até acho graça, uma forma que achei para não esquecer. Ou não me sentir tão envergonhada (é assim que se escreve?). Entendi de onde vem. Vem de um povo que não lê. Ou se le, não vê. Como eu, que muitas vezes passeio por páginas sem confrontá-las a contento.
Recebo e-mails, muitos, todos os dias, e tantas outras mensagens pelas redes sociais. Além das abreviações previstas da geração Y, erros fatais. Poderes que viram poços, tamanho problema ( ou poblema, ou plobrema, ou seja mais o que) que temos com eles ( não eles, os masculinos, e sim, a letra), erres e cedilhas (deveria ser çedilha...). Tantos esses, ces com ou sem cedilha que saem fácil da boca, mas travam papéis. E ideias. Línguas enrroladas por tantas letras que não se dão bem, como bes e eles (de novo, as letras, não os machos). Fora as cacofonias e os duplos sentidos. Tortura, por vezes. Ou piada com o trocadilho da hora.
Ponho a culpa na minha mãe (claro, de quem mais seria?) que deixou que eu aprendesse com meus irmãos. Éramos cinco - quase seis para lembrar o livro - a sentar à mesa ( não na mesa) da sala de jantar. Eles a estudar, eu a copiar. Ou tentar. Ponho a culpa na professora que eu achava burra porque ela não sabia que be mais a dava ba. E mesmo assim dava aula! Por fim, culpo o português e suas mil letras e palavras com o mesmo som ( volta e meia me pego pensando como seria bom se a colonização tivesse sido inglesa. Ou francesa, que charme!). Ou mil formas de dizer uma mesma coisa. Ou na diferença entre estar certo e ser inteligível.
Cabe aqui o ditado: falar é fácil. Ou não? Penso na dificuldade de estrangeiros perdidos em nossa língua, fichinha perto da minha dificuldade em aprender e apreender o fácil inglês. Minha diversão era na adorável ( adorável mesmo, não estou mentindo, mestre!) oficina de português que fiz, assumindo o "nada saber", tão muito frente a outros. Dava nó na cabeça do gênio -professor com minhas dúvidas, muitas e difíceis de explicar.
É, nossa língua e suas pegadinhas... Poços não me pegam. Nem as exceções (e não excessões, escessões, esceções ou exceções...um excesso de possibilidades verbais). Mas a dificuldade de falar bi-bli-o-te-ca me faz rir de mim mesma. Faço piada, "inglesando" o som, enrolando ( que se lê enrrolando...) a língua, falando pausadamente, assim como escrevi, como que soletrando. Assumo minha analfabetização (outra complicada...) linguística. Ou funcional, diria a intelectual elite de plantão, à espera do menor erro. Vejo nisso minha melhor forma de não errar. Ou pelo menos nem tanto. Quem sabe assim consigo me livrar de todo mal. E de ter tido que revisar esse texto mais uma vez por ter esquecido que língua não senta no assento mas leva acento.
Ufa...será que tirei dez?

Nenhum comentário:

Postar um comentário