sexta-feira, 25 de junho de 2010

Meninos


Gostei da piadinha e replico: " Copa na África, só podia dar em zebras". E isso tem atiçado dois lados meus: da que gosta de um bom futebol. E da " Madre Teresa", como me apelidaram outro dia. Ver uma novata como a Eslováquia entrar em campo e tirar uma gigante como a Itália - e parodiando uma campanha publicitária - " não tem preço". Comemoraram como se tivessem ganho a taça. Nesta Copa, pelo que temos visto, favoritismos não existem. E, por isso mesmo, encanta-me em saber e ver.
Sou daquelas que torce pelo mais fraco, pelo menor. Vibro pelo lado B. O preterido ao invés do preferido. Acho que tem muito pedantismo barato por aí, e não só no futebol. Que o mundo tem vivido de marketings. É quem aparenta ser, não quem batalha para ser, não quem é. Tantas apostas "ruins"que tem nos alimentado de tão maus exemplos. De famas baratas. De famas rápidas de efeito flash. De fazer a fama e achar que é isso e tudo bem. Usando na peneira fina da consciência, não passa nada. Ou niguém.
Ao contrário do que devia para seguir a santa cartilha, torci para a África do Sul. Torço para Gana ( assim como adoro ver os quenianos vencendo corridas ou o brasileiro que treinava em estradas de barro!). Fico imaginando quanta pendenga ( não no sentido clássico de pendência e sim, pejorativo, de trabalho, problemas, enfrentamentos de toda ordem) seus jogadores passaram - e passam - para estar ali. Não têm, com certeza, o valor mítico dos nosso jogadores, nem muito menos seu valor de passe, aqueles a quem erguemos estátuas e pagamos promessas, como se santos fossem. Gosto da Copa assim, mais igualitária. Mais humana, menos mercado (já tem o bastante por lá...). Entram os pés descalços, saem as chuteiras de cristal.
E que vença o melhor.
Longe de mim não estar torcendo pelo nosso time. Acima de tudo, sou brasileira e não desisto nunca ( eita, de novo ai a influência da propaganda em mim!)! Ali uma boa mostra de bons meninos - não pela idade, mas pelo coração. Meninos que tem sonhos como todo brasileiro. Sonhadores que vieram do subúrbio, do lado avesso. Nosso técnico foi e é criticado mas, pelo meu ponto de vista, soube escolher. Escolheu pela garra e pela vontade. Escolheu pela simplicidade e espírito de equipe, não pelas capas de revistas, nem pelas festas badaladas. Muito menos pelo estrelismo, que tanto atrapalha. Nem pela experiência que isola. Simples meninos. E jogam como tal. Como se no campinho de terra ainda estivessem.
Bom, agora chega de divagações. A televisão já está ligada, a euforia já está nas casas,
o coração já está na mão.
Que venha Portugal, então!

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