sábado, 5 de junho de 2010

Sem Chanel


Assistir ao último filme sobre Coco Chanel é parar para pensar. Uma pela persistência sempre inspiradora destas pessoas, tantas, que tinham tudo para dar errado e dão é muito certo. Outra pela forma delicada e vagarosa que se deixou invadir pelo amor.
Ah, quanta irreverência numa só mulher. Fez-me lembrar Frida Kahlo, outra que amo. Cada uma a seu tempo, cada uma em seu lugar, cada uma de seu jeito, mas a mesma teimosia frente à vida. A mesma forma dura de não se deixar levar. O mesmo olhar de quem sabe onde quer chegar. O mesmo olhar de quem não consegue conviver com a hipocrisia. A mesma forma defensiva de não se deixar seduzir de forma barata. Usando da cama como arma, sim, mas sendo sempre elas as vencedoras.
O filme pode decepcionar a quem quer ver a estilista. Ou o poder de sua marca. Mostra, tão somente, a Coco, antes de se tornar Chanel. Mostra tão somente a mulher, antes do mito - ou dentro dele. Sua trajetória sem glamour. Um chiquérrimo tapa de pelica. Fiquei pasma com a atriz , que não conhecia, Audrey Tautou. Captou facilmente o aparecer da paixão, seu crescer. De olhos mortos a brilhantes. De boca amarga a sorriso fácil. De andar masculino a uma delicadeza deslizante. A transformação da lagarta em borboleta. Um amor que se foi rápido, mas deixou nela tanta mudança. E quanta graça na sua ingenuidade frente a isso, quando pergunta a colega como é estar apaixonada, já mulher feita e teimosamente moldada.
Essas mulheres, grandes exemplos. Adoro sabê-las, assim, por inteiro. Sempre vagando em minha mente, sempre me incentivando a não parar. Nem no tempo e nem frente a vida. E nem em relação a mim, que vim ao mundo para ser feliz. Custe o que custar.

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