quinta-feira, 24 de junho de 2010

Vencida


Assistia o jornal pela manhã. Falava de saúde. Ou seria de doença?
Numa pesquisa feita com famílias brasileiras por dois anos, fizeram um levantamento dos gastos básicos, ou seja, alimentação, educação, saúde. O único valor que subiu foi o de gastos com saúde. Ou porque os remédios ficaram mais caros (cadê os genéricos prometidos?). Ou porque os consumimos mais, coisas da vida dita moderna. Ou porque os planos de saúde ficaram mais caros. Ou todas as opções anteriores. Os de renda mais baixa gastam mais com remédios. Os mais "sortudos", com planos de saúde privada e tratamentos de prevenção.
Na verdade temos medo de ficarmos doentes. Qualquer gripinha nos abala. Uma dor de cabeça qualquer e lá se vai mais um analgésico sem nem saber a causa. Apostamos na doença e não na saúde. Gastamos até o que não temos já pensando que podemos ficar doentes. Antecipamos problemas, enchemos as gavetas, esperamos a hora de estar mal. Pagamos mensalmente para nos livrar de todo mal. Venderam a ideia e nós compramos. Ela está nas propagandas bem feitas, nas revista de saúde, nas páginas do jornal.
Hoje levantei com dor de cabeça. Primeiro veio a vontade de levantar e já tomar algo para mandá-la embora. Mas, ainda na cama, pensei de onde veio. Veio do dia de ontem, cheio de novidades. Veio da noite mal dormida pela falta de respeito alheio. Veio da semana corrida que nem me deu tempo de respirar. Veio da cabeça que não pára de pensar nas coisas que tem a decidir. Veio das decepções e das esperas. Veio da tristeza da imobilidade. Veio de mim. E de mim vai ter que se mandar.
Desci e fiz um chá. Adocei com meu carinho. Pensei no dia de amanhã. Sentei e sorvi a cidreira pensando na vida, em goles sem pressa. E assim fiz, conversando comigo mesma, sentindo meu corpo, o calor do momento levando a dor para outro lugar. Na televisão em baixo som, a notícia. Estamos mais doentes. Deu saudade dos chás da vovó. Da vida mais mansa. Da parada para se cuidar. Do se repensar. Talvez estejamos mesmo apostando da doença, deixando ela nos ganhar. Eu, hoje, apostei na vida. E amanhã é sexta! Que ela venha , então, para ficar!

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