quinta-feira, 1 de julho de 2010

Amor X


Decisões. São tantas ao longo de um minuto, uma hora , uma vida. Desde o levantar ao deitar. Desde o que vestir até quem quero ser. Das mais simples às mais dramáticas (ou "janeteclairianas", como gosto de dizer , referindo-me à Janete Clair, a mineira que tanto nos fez chorar nos meados dos anos 1990 com Selva de Pedra, Véu de Noiva, Irmãos Coragem) , fazem-nos parar para pensar, muito ou pouco. E como é difícil decidir quando não temos as respostas. E parece que fica sempre aquela dúvida no ar, se fizemos a boa escolha. Aquela pontinha a nos infernizar. Anjo e demônio. Sempre.
Mas uma das decisões que parecem mais difíceis, não é. A de ser feliz ou infeliz. Claro que a questão não é assim tão prática, pois seria muito fácil. O "problema" é quando as escolhas incluem coisas que gostamos ou pessoas que amamos. Coisas são descartáveis, mas pessoas, não. Seria bem fácil, penso, a essa altura da desgostura, arrumar minha mala e sair porta a fora, sem nem olhar para trás. Deixar ali meu passado em forma de peças, minha coleção de "São Chicos" - que trocaria por um só, meus livros empoeirados, os presentes das amigas, umas peças de mobiliário que carrego desde os tempos de estudante. São apegos bobos, bem sei. A frase "leve somente o necessário" me vem à cabeça e vejo como tudo isso poderia - e pode - ficar para trás. Até o cachorro. Coisas e animais, mesmo os mais amados, são facilmente, ou não, substituíveis. Pense na frase da hora da emergência e veja como é fácil. Levaríamos os documentos para que não tivéssemos maiores problemas em provar quem somos. E só. Apego existe, mas amanhã nem lembramos mais disso. Coisas são substituíveis, friso. E ficarão povoando em nossa mente
tanto quanto forem importantes, não mais.
Mas pessoas, aquelas que amamos, não. De mãe para filho, que já vem no pacote: nasce na hora da confirmação. De filho para mãe, natural, assim esperamos. De homem para mulher, conquistado. Não é fácil "descartá-los", até porque vêm junto com a pessoa amada, feito item de fábrica. Mas nem por isso fáceis de manter. Pior ainda de desistir ( o que imprime uma qualidade a mais de não o querer fazer). Ao beijar meu filho na testa ontem à noite dei-me conta mais uma vez disso. Amor pesa. Amor dói. Amor mora dentro da gente. Vibra dentro de nós. Forte, decisivo e ao mesmo tempo tênue. Frágil. Inseguro. Mas, como todas essas dificuldades - e talvez por isso mesmo - usamos de muitas armas para manter. E é, pelo menos para mim, a única coisa capaz de me segurar. É a única coisa que tenho medo de perder, física e/ou mentalmente. Porque amor mora n'alma. "Pior": incrusta nela. Não fica nada fácil substituir, trocar, tirar.
Não se encontra na esquina. Nem na vitrine.
Amor. Tanta coisa a dizer. Tão difícil assumir, declarar. Mas tão bom de sentir, tão bom amar! E representamos por um coração. Não sei quem inventou essa coisa, hoje feita até com as mãos. Acho que deve ser porque alma não tem representação. Ainda. Quem sabe terá.

Um comentário:

  1. Já dizia Gibran:"..os filhos são filhos da vida...".
    Nos preocupamos ,fazemos e deixamos de fazer coisas por eles.
    Um dia eles se vão.Trilhrão seu próprio caminho e nos dirão até logo...
    Torcem também pela nossa felicidade, seja lá onde for.
    Realize seus sonhos.Não espere muito.É o momento!
    Com carinho,
    Meg

    ResponderExcluir