quarta-feira, 21 de julho de 2010

Aprendendo


Acho a Lya Luft, com o perdão do descaramento e, talvez, pré-julgamento - meio depressiva. Deve ser coisa da geração, descrente do mundo de hoje, sei lá. Vejo nela um pouco de minha mãe - também escritora e também com esse ar de desdém, caras de que nunca está bom. Talvez porque falem verdades que não quero enxergar. Não que discorde na totalidade do que falam e de como pensam, mas da forma que põem para fora, uma forma por vezes amarga até mais do que deveria ser. Enfim...já não é de hoje que sou taxada de sonhadora e infantil.
Mas gostei de um texto, supostamente escrito por ela , Lya ( lembro da infidelidade da internet que tudo aceita...) que recebi de uma amiga via e-mail. Falava resumidamente que " A fonte da juventude chama-se 'mudança' ". De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da hora. "A única maneira de ser idoso sem envelhecer é não se opor a novos comportamentos, é ter disposição para guinadas", completa ela. Tive que dar a mão a palmatória - e que nisso ela seja bem boazinha - e concordar. Sei bem as melhorias que teimar em estudar fora - e longe - tem feito em termos de benefícios a mim, apesar do frio, das cansativas viagens de ônibus e da oposição em casa. Meus olhos brilham quando consigo coisas, por menores que sejam. E ficam opacos de infelicidade quando não sou compreendida ou quando não tenho com quem compartilhar. Ou quando sou acusada injustamente de não ter tentado, de ser fraca e tudo o mais que ando escutando mesmo sem querer. Mesmo sem falarem. Vejo no olhar, que abate o meu.
Eu tenho tido que reaprender a me amar. Leio minhas marcas. Dispenso as da testa, sinal de preocupação. Aprendo a gostar das de canto de olho e de canto de boca , sinais de que estou feliz. Olho no espelho e tento gostar do que vejo. Como o próprio nome diz, são rugas de expressão. E se expressei ou expresso algo, prefiro que sejam coisas boas. Nisso baseio meu caminhar. Na busca de algo mais, do que acredito, do que quero - não do imposto ou comparado. Dispenso a sala de cirurgia. Mas não dispenso o pote de creme e a massagem na cara. Mas ai já é cuidado. Já é preparo. Uma delicada forma de me amar mais. E de receber o envelhecimento de forma mais otimista.
E faço minhas as palavras dela: " Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar. Olhe-se no espelho... ".
Eu, crédula disso, estou indo lá!

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