domingo, 18 de julho de 2010

Bela trama


Ontem falei em casa cheia. E está mesmo. Ou quase. Faltam os homens de minha parte. Até minha sobrinha - por parte de minha falecida irmã - ficou de dar o ar de sua graça. Coincidências, muitas. Um complexo complô do nada. Até em datas: neste final de semana fazem 16 anos que perdemos a irmã de forma nada esperada. E 20 e muitos que nasceu nosso primeiro sobrinho que já tem data para começar a sua própria família e se juntar à nossa.
E aí a brincadeira - saída da boca prodigiosa de meu irmão que, como a minha, perde os amigos - e parentes - mas não a piada - surgiu em pleno café: teríamos vindo para o velório de meu pai, que fez um esforço para rir de si mesmo e dos entraves que a vida lhe tem dado. Isso porque, sabemos, não vai ser fácil juntar a turma toda de novo. Não sem marcar. Não sem mil tropeços da vida. Não sem motivo. Bem sabemos que é mais fácil juntar na tristeza que na alegria - como no aniversário de 70 anos de minha mãe. Naquela foto, só faltou a filha perdida. E genros e noras que cativaram seu lugar ao longo do tempo.
Família é uma coisa engraçada. São pessoas que nos vieram, como os pais e irmãos, somadas a pessoas por cada um escolhidas - e nem sempre aceitas ou bem encaixadas no núcleo até então. Some-se , ai, as pessoas que escolhemos e que nos deram filhos - estes presentes dos céus. E a minha não foge do trivial moderno. Uns casados, com ou sem filhos; outros separados - que tem filhos de outros - e casados de novo, com filhos a caminho. Outros em processo de. Junte-se a isso os filhos emprestados que ainda virão. Ou, quem sabe, novos amores. Um sem fim de nomes e de relações.
Família, penso comigo, é uma do soma de tantas outras. A nossa, a minha , a deles. As que já foram, as que estão, as que virão. E depois as de nossos filhos, quem sabe netos, até que cansemos de caminhar sobre a terra. Quem sabe novas se juntem, outras se separem. Um emaranhado sem fim, uma trama que não se desfaz. Porque cada nó é forte e veio para ficar. Uma rede de bela trama que já começou bem lá trás, bem antes do enlace de meus pais. Começou além-mar, em terras de outrem. E, se formos bem a fundo, e com o perdão do trocadilho - trepando a árvore genealógica sem parar - quem sabe encontremos algum macaco, ou os lendários Adão e Eva, para os mais sonhadores. Uma coisa é certa: sabemos que teve um começo. Mas o fim, não sabemos onde, quando e até se vai parar.
Eu poderia até parodiar: no início, era filha e irmã. Virei neta, sobrinha, prima. Levei trinta e um anos para virar mãe (minha mãe, com essa idade, já parira cinco). E espero que leve um bom tempo para ser avó. Não porque não queira. Mas porque família é coisa séria. E tem que estar preparada. Nem que seja para rir de nós mesmos.

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