domingo, 4 de julho de 2010

Satisfeita


Domingo. O sol acordou tímido, escondido atrás da cerração típica de Inverno. Calcei meu tênis e me pus a caminhar sem pressa. Meu destino? O sossego de um café bem tomado a várias quadras de meu mundo.
Entrei, fiz meu pedido - simples, sem exageros - e me sentei a observar as caras de domingo. Misturadas no mesmo salão a esperar seus diferentes sabores, meninas de vestido de missa, vovós no seu melhor estilo, jovens com cara de não dormidos, famílias distraídas pela vida. E dois tipos de casais: os amantes, onde se via nos olhares e discretos gestos que a noite tinha sido boa. E os "de sempre", em que ele olha a televisão enquanto ela perde seu olhar em qualquer lugar - quem sabe invejando o casal ao lado, ou pensando em mais um domingo sem nada para fazer (nada que a interesse, claro...). De comum, talvez, só a mania se tem de nem olhar a pessoa que nos serve. Não eu. Olhei e sorri da melhor forma ao menino que nos atendia. Já havia rido antes, ainda no caixa, ao notar que me cobravam uma farta torta de morango com chocolate ao invés do pedido suco de laranja. Poderia ter reclamado, mas relevei até achei graça, trazendo à tona meu estilo nato de bem levar a vida. Um breve bom dia a quem me faz tão bem, um café bem quente tomado sem pressa, um agradecimento na saída e meu rumo de volta para casa, meu caminhar leve, a olhar vitrines - de roupas e do dia.
E ouvir meus pensamentos que caminhavam a passos largos como minhas pernas. Pensava no que sempre digo - e tenho reafirmado e vivido nos últimos meses. É preciso tão pouco para ser feliz. Um pouco de sol, uma caminhada, observar a vida. Quem sabe sentada de frente à pessoa amada, quando tudo parece perfeito, sempre inundado de uma bela gargalhada ou delicada troca de olhares - quando um entende o outro sem falar.
Ser feliz, para mim, é ver o que está ali na minha frente. Ver o presente que o presente me trouxe, um pacote sem frescuras. Sem os olhos no passado que só fez magoar. Nem no futuro incerto, construído por sonhos difíceis de alcançar - e que muitas vezes nem são nossos. Se pararmos para pensar, é tudo tão fútil, nossas "necessidades", por vezes tão desnecessárias. Vivemos para acumular coisas, e com elas problemas e dívidas. E nem sempre elas nos dão o retorno esperado, seja material ou a foto no jornal.
Para ser feliz, basta sermos nós mesmos. Acreditarmos em nós. Amar quem somos, como somos. Não nos deixarmos levar pelo que o mundo quer, pelo que sonham nossos pais e pares. Entendermos e aceitarmos nossa essência, essa sim, bagagem a ser levada até o fim dos fatos. Só assim daremos ao mundinho ao redor nosso melhor sorriso e nossa melhor forma de amar. Tão boa e reconfortante como um belo gole no café.

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