quarta-feira, 28 de julho de 2010

Choquei!


"Choquei", como dizem por ai. Descobri que meu filho, 15 anos, está fazendo a barba. Sei bem que daria para fazer com uma pinça, tamanha "abundância, mas vá lá, a cara e o ego são dele, não meus.
Expliquei a um tempo atrás que barba não tem volta. Uma vez feita, sempre. Descobri isso da pior forma, também com a idade dele, quando desencantei e fui num primeiro baile de 15 anos - o das minhas amigas. Eu não debutei, como se dizia na época, porque meu pai achava besteira. Não queria "entregar" a filha para a sociedade, dizia ele. Hoje acho graça. Muitas das debutantes da data já tinham feito muita coisa com a sociedade, inclusive emprenhado.
Enfim, voltando às barbas magras, depilei minha perna pela primeira vez para ir ao tal baile. Aliás, meu primeiro dia de tudo . Vesti-me pela primeira vez como mulher : vestido, salto alto, maquiagem, cabelo (feito em casa, mas já um grande progresso). Não que não tivesse exemplo em casa: minha mãe já descia as escadas da casa para nos chamar para a escola em belo salto (nosso despertador), saia e blusa , cara pintada. Raramente usava calças - só para viajar e olhe lá.
Voltando a cremes e depilações, descobri ali não tinha mais volta. A perna, agora destituída da penugem dourada, nunca mais seria a mesma. Foi para o ralo uma de minhas marcas registradas (hoje ainda conservada em locais de difícil visualização). E foi com ela minha meninice. Minhas novas pernas não combinavam com meus brinquedos, até então espalhados debaixo da escada. Meu novo salto, mesmo que pouco usado, não combinava com bonecas a alimentar. Tomo consciência, mesmo que tardia, de como uma só noite, à minha lembrança não muito válida, invalidou tantas outras Joyces. Umas foram para o banco dos esquecidos, outras para as gavetas das lembranças bem guardadas.
Descobri que meu filho faz a barba. Ou pensa que faz. Sente-se homem, ou pelo menos quer sentir-se como tal. Melhor assim. Lembro do livro que ganhei de minha irmã quando ele nasceu - daqueles, famosos, que ensinavam desde trocar fraldas a resolver cólicas. Ou ensinar a rezar. A sábia, já bem encaminhada na vida materna, pôs lá uma frase de Gibran bem na primeira página: " nosso filhos são filhos do mundo". É chegada a hora, penso. Ou quase. Não mais preocupações com a cor do cocô ou com o mercúrio subindo no termômetro. Nem com as quedas de bicicleta ou sangue jorrando na testa. Nem com notas de matemática. As noites sem dormir agora serão outras. No lugar de choro e febre, noitadas. O tempo demora quando se está à espera. Que Deus me ajude a superar mais essa etapa...

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