terça-feira, 27 de julho de 2010

Invernando


Ainda de roupão em pleno meio da manhã, tento me animar com um segundo copo de café. Deve ser por isso que a gente engorda no inverno. Tenta aquecer o corpo e a mente com algo preferencialmente quente e doce. Mas não basta um ralo chá. Precisa ter corpo, pesar feito um edredom. Nem devia ter saído da cama. Deveria ter ficado lá, não fosse a vida me culpando de tudo. Vai, minha filha, levanta, berrava ela enquanto eu ainda tentava abrir os olhos! E eu, tentando convencê-la de que esperava o dia. A vida é surda, penso eu. Feito mãe que nos empurra mesmo que não queiramos, mesmo que não acredite.
Quando desci para fazer o café do filho ainda estava escuro. Viu? Pensei. Nem o sol acordou ainda, porque eu? Fiquei de pé esperando o chiar da chaleira (é, minha cafeteira se foi sem avisar...) , depois vendo líquido escuro que escorria pelo coador, e pensando em quantas pessoas já estavam "na lida". Então por que tanta preguiça? Não, não é preguiça. Antes fosse.
É falta de tesão.
Falta algo. Falta um nada ou um tudo. Se o sol me fizesse companhia, já me alegrava. Talvez eu caminhasse e com isso, animaria. É, deve ser isso, falta um sol (alguém tem que pagar esse pato, antes que eu proclame a depressão). Falta o "meu Sol" - não necessariamente esse que todos esperamos dar as caras pela manhã. Um Sol que me faça acordar pronta para vida todo dia, seja ele ensolarado ou chuvoso. Um Sol que me aqueça o corpo e a mente. Que me aqueça as vontades. Que me faça sentir viva. Se tivesse meu próprio Sol, poderia eu morar no Pólo Norte, seis meses de noite, tanto faz. Eu e ele ficaríamos a ver estrelas, noites e noites contando histórias, fazendo a nossa história. Se eu tivesse meu próprio astro-rei sempre ao meu lado, quem sabe não me faltasse mais nada. Quem sabe trocaria o dia pela noite. Quem sabe fizesse mais. Ou quem sabe não fizesse nada, a não ser ser eu mesma, preguiçosa e lenta, feito urso polar. Assumida como tal. Pelo menos nas manhãs de inverno.
Os bichos é que estão certos...é tempo de hibernar!

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