quinta-feira, 15 de julho de 2010

Não!


Em um país que respira futebol, onde nosso jogadores viram ídolos para todas as idades, o "caso Eliza" - assim, intitulado feito show, como uma primeira conotação de espetáculo - deixa-nos estarrecidos e preocupados (ou nem tanto, dada a repetição dos fatos). Uns dizem que a mídia está em cima porque se trata de uma "celebridade". Outros - e ai entra minha testa enrugada perguntando "será?" - que é para esquecermos a perda da oportunidade do hexa. Os porquês, a essa altura do campeonato, tanto faz, ficando sempre o gosto amargo da repetição, da normalidade. Mas frente a mais este escândalo e tantos outros, o que dizer a nosso filhos?
O meu, 15 anos, questionou o porque de um cara que alcançou tal sucesso profissional ("Salário de R$200 mil? Quantos ganham isso no Brasil?") joga tudo fora. Minha resposta combina com a de vários estudiosos: falta base. Falta chão.
A grande maioria dos jogadores de futebol - e porque não acrescentar cantores e tantos outros ditos astros - vêm de um espaço que nós mesmos, preconceituosamente ou não, chamamos de submundo, onde, para muitos deles, o futebol - ou o palco - é a única oportunidade. E para os poucos - ou nem tão poucos assim, se comparado a outras profissões - que tem carreira meteórica, o discernimento entre poder e não poder, certo e errado, pode ficar bem difícil. O mundo deles se construiu de outras formas. Do nada para o tudo. Do anonimato para o estrelato. E , principalmente, dos "nãos" para os "sims".
Neste caso, um mar de exemplos a serem usados. E, jamais seguidos. A menina tem em seu currículo atos nem um pouco invejados, apesar de serem de certa maneira previsíveis. Mas fiquei estarrecida ao saber que o pai da vítima "da vez" perdeu a guarda provisória do neto porque tem em suas costas um processo por pedofilia. E um pouco menos ao saber do envolvimento de um ex-policial, infelizmente fato normal nos dias de hoje. Basta esperar e pode até ser que tenhamos novidades neste sentido. A mídia deve estar atenta para a próxima capa, ao escândalo da vez.
Entre "macarrões", "coxinhas", "bolas" e "nenês", apelidos dos envolvidos, fica o sinal de que as pessoas não têm se levado a sério. Nem da menina que se envolve com o estrela do time - e passa de modelo a ex-amante, e agora estampa as capas de revistas e jornais como a pauta da vez. Tudo me parece procura pelo sim. Pela vida fácil. Pelo dinheiro fácil, melhor dizer. Mas fica aqui a palavra do psicólogo que tão bem falou no programa da tarde: amor. O que falta é amor. O que falta é colo, conversa. O que falta é exemplo.
Eu, estudando de forma bem interessada as novas gerações, procuro pelo menos entender o que se passa. Meus pensamentos vão longe, ou ao menino ao lado. Trocamos o ser pelo ter. Uns para compensar suas culpas de ter e estar se dedicando tanto à carreira como forma de se manter no topo (ou pelo menos chegar mais perto) da vida social. Coloquemos aí a lista interminável de pais separandos ou separados. Some-se a eles a bem menor lista de homens e mulheres "bem sucedidos". Ambas as categorias tem na carteira sua forma mais fácil de se livrar dos pensamentos replicantes de não ser e/ou não ter sido um bom pai, uma boa mãe. Entram nesta lista os assassinatos por herança. E os tantos outros porque se foi contrariado na porta da boate. Ou pela mulher amada. O muito parece pouco e a procura pelo mais parece fácil.
Mas o que dizer dos tantos "Brunos" de plantão? Do ser e ter nada ao ser e ter tudo na escalada vertiginosa - e muitas vezes perigosa - da fama. Se tenho - e portanto sou (ou sou e tenho, não sei bem qual qualifica melhor) tudo posso. Posso desde não pagar os impostos até não assumir os filhos de casos de uma noite só. Posso transgredir porque "sou o cara". Posso ser e acontecer porque minhas costas estão quentes pelo calor da torcida , pelas capas de revistas e pela fama conquistada. E pela carteira cheia. E tudo consigo, já que tenho os "amigos de plantão".
E fico aqui pensando nos policiais e seus exemplos nada agradáveis na busca de provar seu poder, com ou sem dinheiro. Os que batem por bater, matam por matar. Os pais que se livram do problema jogando-o pela janela. A filha que mata os pais por querer mais do tanto a que já tem direito. Os tantos machos que mutilam ou matam suas "ex" que ousaram dizer não. Parecem, assim, ao ver de longe, a não aceitação do não. A palavra mais difícil de se escutar. Talvez devêssemos treinar mais.

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