quarta-feira, 7 de julho de 2010

Pausa


Julho promete. Tenho aula em dois finais de semana, onde fico sob a proteção da Mãe Oxum sob o céu de colorado. E entre eles, uma viagem de negócios, e outra, digamos, familiar. E sozinha. Uma experiência que não tenho fazem 15 anos.
Férias? Pode ser. largo o epso das culpas e vou, sem medo. Férias de ser mãe. De ser governanta do lar. Hora de ser eu. Estudar, ler, ter aulas, conhecer pessoas, lugares, viajar, negociar - e uma lista interminável de verbos positivos para mim. E entre isso, uma visita à minha cidade natal - e onde mora quase toda a minha "enorme" família. Hora de pedir colo ou dar?

Chá de banco de ônibus? Nem me importo. Desce redondo. Já me parece acompanhado de bolinhos (ou de "farropilha'(*), aliás, uma boa pedida). Estarei em casa duas vezes, mesmo fora dela. Uma porque Porto Alegre me recebe sempre de braços bem abertos e um calor que me aquece por dentro (mesmo nos dias de muita chuva). A grande pequena cidade sempre me parece simpática e acolhedora.

Outra porque minha cidade natal - e meus pais - também o fazem bem. Não vejo a hora de pegar meu pai para caminhar. E de deitar na cama tão bem preparada por minha mãe. E ainda tem a minha irmã - e ai já tem "pano pra manga" e para o vestido todo, um rosário de boa conversa e garantidas gargalhadas. Ou confidências saboreadas com um bom espresso, que ela tanto ama.
Depois que a gente é mãe, tanta coisa muda. A família de sangue fica para trás. Os nosso pais viram avós em tempo integral. As nossas irmãs, tias dedicadas. Não mais nosso, mas deles. É como se trocássemos de papéis. Como se não tivéssemos tempo para nós. Se não fossemos mais nós. Ficamos à sombra de nosso filhos. E com sobras, encorajo-me a dizer. E assim, sozinha, não. Tempo só meu, para administrar e admirar. Viver. Reviver. Aproveitar. Ou pelo menos dormir.
E ele, o meu filho? Estará com o pai, em viagens de "homens". Sabe lá o que há a mais de fazer do que comprar e comer. Eu me divirto com "menos" - para mim meus mais. Caminhadas sem pressa, olhando vitrines, parando para um café. Ler meus livros, anotar as ideias, relaxar para sonecar. Rever lugares e pessoas. Rever sentimentos. Ser filha por um momento. Pedir colo, quem sabe. Meu chá com biscoitos...
(*) Farropilha é como se chama um prensado de pão francês - ou cassetinho para os gaúchos - com queijo e presunto. Aquece e alimenta como o faz a cidade que já amo.

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