terça-feira, 20 de julho de 2010

Sol!


Quem me acordou hoje foi o sol. Acordei ensopada por debaixo do cobertor de inverno. Deu o ar de sua graça. E trouxe de volta a minha. Acordei ensopada por debaixo do cobertor de inverno. Assustada, até. Não sou do tipo "boa de cama", que deita e só acorda pela manhã, mas foi o que aconteceu. Levantei a mil, engoli um café, peguei o rumo da rua para caminhar. Enfim, viva de novo. Não era o final dos tempos ( afinal, se vai mesmo terminar tudo em 2012, ainda falta um pouco. E tenho muito que viver...).
Andando pelas ruas vi o quando o astro rei faz diferença. Tinha sorriso na cara das pessoas. Tinha luz em seus olhos. Um andar lento como que aproveitando raro momento. Roupas de cama nas janelas, lençóis nos varais. Dia de faxina, pensei. Nada como uma roupa seca ao sol: tem cheiro de casa de mãe - destas, antigas, não das moderninhas que secam tudo nas máquinas. Os botecos com suas portas cheias, as atendentes em conversa fiada vendo o dia passar. Até o palhaço (literalmente, vestido a caráter, punho segurando microfone) anunciava o sol como seu parceiro de vendas. Aproveitem o dia, dizia ele. Bom dia para aproveitar as ofertas da loja tal.
Caminhei sem muita estratégia, alternando passos. Vivendo o caminho. Devagar na frente da vitrines de promoção. Pensava do porque se consegue 70% de desconto só depois de já ter comprado o casaco novo. Ou se ganha desconto na bota que não tem mais nosso número. Ou cor. Depressa na frente do que não interessa. Quase uma corrida na frente da calçada confusa e movimentada . Ou na frente do hospital. Dia de sol só combina com maternidade. E visitas com cestas de café da manhã. E ursos de pelúcia.
Acabo de descobrir que sol me deixa superativa. Hiperfalante. Ultrateclante. Frenética, diriam alguns que já me conhecem. Eu, enfim. Feliz. Bom dia para gargalhar.
Erro a tecla, e na busca do Google aparece uma letra de música - antiga...até o vídeo é em preto e branco . Sol de Inverno, cantada por Simone de Oliveira, dos anos em que nasci, que dá até vontade de chorar:

De que serve ter coração
E não ter o amor de ninguém.
Vivo de saudades, amor
A vida perdeu fulgor,
Como o sol de inverno
Não tenho calor.

Fico imaginando minha mãe me embalando a cantarolar. Mas, da letra discordo plenamente: sol de inverno esquenta até demais. Basta querer. Basta amar.

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