sexta-feira, 2 de julho de 2010

Ópio


Hoje é dia de ópio. Hoje não se pensa em mais nada. Nossos olhos e nosso coração estão na tela da TV. Mais que dia de jogo da Copa, dia de decisão para nós. Hoje, somos todos patriotas.
Não é de hoje que os países entram em campo para mostrar sua força - pelo menos ali, em relação à bola. Uma guerra de talentos. Começamos a sofrer em 1930, dois anos depois do francês Jules Rimet, na época presidente da FIFA (Federation Internacional Football Association), ter tido a ideia de confrontar as melhores equipes do mundo. Desde então, a Copa vira nosso centro de atenções - e porque não dizer tensões - a cada quatro anos. E, pasmem, só não aconteceu em 1942 e 1946, em tempos de guerra (é, Joyce também é cultura futebolística...)
Otimista, quero acreditar que seja só uma competição de futebol. Que não estejam incutidas ai nada além de um bom futebol. Detesto saber que até ai existem falcatruas - além das vistas ao vivo, protagonizadas pelo mal juiz. Que essa copa já está decidida. Que já foi armado isso ou aquilo. Vai-se, ai, todo o espírito esportivo, a esperança de cada nação, a vontade de cada jogador.
Se pararmos para pensar, são 90 minutos correndo atrás de uma bola com um único intuito: gol. Ou, pelo menos, deveria ser. Não quero saber dos bastidores. Não quero saber dos conchavos. Nem do valor da roupa do treinador. Nem se ele estava de mal humor. Gosto de ver a bola em campo, notar as estratégias e jogadas. Amo os dribles bem feitos e as pedaladas. Vibro, berro torço feito uma desvairada. Isso me importa. Meu ópio, nem que seja por uma partida. Ali, sentada em frente à TV, não lembro de mais nada. Eu e os quase 200 milhões de "eus" por ai. Hoje o país pára. Hoje não lembramos de mais nada. Hoje não temos mais problemas, a não ser o de vencer a equipe laranja. Não temos mais fome, nem enchentes, nem crimes, nem ao menos maus políticos. Hoje, somos todos iguais - o que vê o jogo na telão da praça e o que vê na televisão de LCD. Hoje a bandeira cabe na mão e a mão no peito.
O nome do Brasil vem , dizem, da madeira avermelhada. Já Adelino José da Silva Azevedo postulou que se trata de uma palavra de procedência celta, uma lenda que fala de uma "terra de delícias", vista entre nuvens. Acho que ele se referia ao futebol...

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