sábado, 17 de julho de 2010

Zzz


De ontem para hoje fiz uma sonoterapia caseira. Ou melhor, uma "camaterapia", já que lá fiquei, mesmo sem necessariamente dormir. Talvez por causa do intenso frio, na rua e em mim. Ou pelo aconchego da coberta e do travesseiro. Ou, quem sabe, fugir do burburinho da casa de mãe, contrastante com minha necessária solidão.
Motivos não faltaram. O dia frio e chuvoso, a casa cheia demais para o meu gosto - ou meu estado. Deitei-me cedo, com a desculpa de querer ler. Nas entrelinhas, queria ficar comigo mesma, calar a voz e fechar os ouvidos. E lá fiquei até que me convenceram a descer e tomar uma sopa "com as visitas". Ato feito, voltei para meu ninho de algodão, aproveitando que era apenas mais uma na "multidão". E ali fiquei, por vezes dormindo, por vezes ouvindo o sobe e desce de minha mãe. A casa não parece mais minha, então fiz do leito um pedaço de mim. Uma ilha em que eu e meu pensamento eram os únicos habitantes. E ali estávamos, eu e ele, a sós e felizes. Ou, pelo menos, da melhor forma.
Levantei quando a casa já estava em quase total silêncio. Todos haviam saído em busca de aventura (sim, porque sair por ai com esse tempo sempre é uma aventura...). Um levantar ainda de pijamas, um café animador escutando o barulho no teto de vidro. Um banho quente e sem pressa. Uma longa conversa com o que me interessa nesse momento. Eu e eu, o nós, único, que aqui me interessa, egoísticamente assumido.
E cá estou eu, ainda paramentada com trajes de dormir, o pijama velho de minha mãe, o chinelo de ficar - talvez para prolongar o bem estar adquirido , mas curto. Aproveito o nada para escrever. Daqui a pouco a casa enche, não aos poucos , mas de rompante, e sabe lá quando terei novo momento de me aconchegar. De me ouvir. De falar. Relembro que faz tempo que necessito disso. Que faz tempo que a cama, quando possível, vira meu canto - e o sono e os livros, meus álibis. As pessoas menos desavisadas podem até me ver assim, num eterno cansaço. Meu cansaço é outro. Meu cansaço é fuga. Só eu o sei. Pode até ser fuga de mim mesma. Ou apenas encontrar em mim. Sábias as pessoas que sabem da intensidade de um silêncio. De um conversar consigo mesma. Do se ouvir. Do se achar outra vez. Ou pelo menos um procurar por debaixo das cobertas. Quem sabe no breu. Quem sabe a luz. Quem sabe, eu.

Nenhum comentário:

Postar um comentário