sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Verbalizando


Choro é uma coisa engraçada. Começa pela palavra, que pode ser verbo ou substantivo. E pelo ato, que pode de ser de felicidade ou de tristeza, de emoção ou de raiva. Pode ser um soluçar baixinho e íntimo, sufocado no travesseiro. Ou um extravasado e escancarado, se de muita dor - destes que se torce para não usar. Choro de tanto rir. Ou de comoção, de paixão. Do ver no outro eu mesma. De ver nele o amor. De me ver outra - ou eu como sou - no espelho da vida.
Choro tem estoque a longo prazo. E não tem hora marcada para acabar. Nem para vir à tona. Pode chegar feito chuvinha tola de inverno, ou feito temporal arrasador de verão. Eu, "tola", sou pura emoção. Choro como mulher e como criança. Deixo correr lágrimas até em propaganda qualquer. Deixo rolar, sem o menor o pudor, mas só gosto das que vêm para os que merecem, coisas e pessoas. Choro que vem do tolo só me machuca, perco a razão.
Poderia eu pensar ser ela, lágrima que corre fácil, meu orvalho. Vazamento de meus olhos de mar. Umidecedor de meus sentimentos, para que não ressequem. Dosador de meu coração, para que não petrifique. Marca registrada de minhas emoções, hoje muitas.Vem fácil, de todo jeito. Choro pelo outro que chora, pelo que pede, pelo que dá, pelo que passa triste a meu lado. Pela história que monto do nada. Choro pelo que prde e pelo que ganha. Choro pela força do momento que vivo de forma intensa. Pelo futuro que passa por mim feito filme ruim. Ou não. Choro pela lembrança do passado, seja ela qual for. Molho o livro que leio se nele me acho. Molho meu rosto pelo filme da tela, se nele me encaixo.
Manteiga derretida? Não. Minha lágrima vai além de apelidos populares. Minha lágrima sou eu, convertida no que sou. Minha essência saindo pelo poros.
Eu, toda e inteira, em minha melhor forma líquida.

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