terça-feira, 10 de agosto de 2010

Coragem




"O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”
Guimarães Rosa, in Grande Sertão Veredas

Há muito de verdade neste simples pensamento. Aliás, a força das palavras está, a meu ver, na sua simplicidade. A vida é assim mesmo, parece que acompanha os dias. Um dia alegre, ensolarado, outro emburrado, chuva fina. Um dia corrido feito lebre, outro deslizante e pegajoso feito lesma. Um dia estrangulante, outro para relaxar. Ou vários dias num só. E, para nosso encantamento ou discórdia, um diferente do outro, por mais que pensamos que não. Têm lá sua proximidade, sua diária-mente, seu levanta e deita, mas não são iguais, por mais que façamos força. O sol de hoje não é o mesmo de ontem, nem seu calor, nem sua luz, nem o ar que respiramos. Já é outro. Já é outro o calor da cama, o sabor do café. Outra a pele do filho que ganha beijo. Outro o calor do beijo recebido.
Como já é outro o meu olhar e minha vontade de acertar. Porque, se pararmos para pensar, são tantas as variáveis que nem sequer poderíamos usar da palavra monotonia. Um dia requer sua própria luz e harmonia. Seu próprio calor. Eu não sou mais o eu de ontem, sou ele acrescido do que já cresci (nem que seja em peso rssss). Do que conheci e reconheci em mim e no outro. Dei meus passos, vi minha vida de outro ângulo. Nem a água que bebi era a mesma.
Nada pára, tudo se move em constante mutação.
Guimarães tinha razão: o que nos move é a coragem, o enfrentamento do dia, o enfrentamento de nós mesmos, o pior deles. Do que somos com o que queremos ser. Do que temos e do que sonhamos ter. Como se cada dia fosse uma batalha de uma grande guerra.
Um guerra chamada vida.

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