segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Got milk?


Fiquei ontem até tarde finalizando a leitura de um livro sobre propaganda, onde terminava com um case sobre o leite. Um case cheio de "mas". O produto era bem visado, mas pouco consumido. As pessoas usavam o leite em seu dia-a-dia, mas sem se dar conta disso. Viam o leite sozinho, mas sem se dar conta que ele gosta mesmo é de boa companhia. Morno, junto com o biscoito antes de dormir. Adoro o cheiro de sua fervura. Gelado, incrementado com o achocolatado. Acalmando um café. Tornando o cereal refeição completa. Dando ponto ao mingau. Fazendo bela companhia ao bolo de laranja. Eticetera e tal. Deu até rima.
A campanha falava da "tristeza" do leite sozinho, de um sem o outro. Got milk? era o mote, lembrando que só lembramos dele quando o biscoito já fora mordido e demorara a dissolver na boca, como que esperando o bom companheiro. Ou quando nos deparamos com o marrom amargo do café. Levou-me à casa de minha mãe e cheirava a doce de leite, uma de suas especiarias (eu, tola, não gostava. Meu prazer era só o de raspar o fundo da panela...). Ou do café da manhã de minha avó (esquentava demais e esfriava no pires, ritual diário, depois de deixá-lo virar no fogão).
Eu, bem acompanhada de minha poesia, que se torna mais forte ao passar das horas do dia, fiz minhas comparações. Listei meus melhores acompanhamento para meus tantos (de)leites, enquanto já pensava em como iria tirar melhor proveito da xícara de líquido branco que esquentava no microondas. Doce depois do almoço. Sofá e manta no inverno. Sofá e filho com a cabeça em meu colo. Pernas esticadas e cachorro sobre elas. Banho quente e corpo cansado. Corpo cansado e cama cheirosa. Sol e caminhada. Boa conversa e risada. Mão com mão da pessoa amada. E abraço, um momento único que merece um texto a parte, tamanha complexidade ( ou seria simplicidade?). São tantos os meus leites que nem sei se sobreviveria sem eles...
Mas, enfim, voltando às vacas nada magras e seu precioso presente, tem coisas que tem sabor de ontem. Doces, e coisas quentes, feito sopa de praia ( outro texto esperando sua vez) dão ares diferentes. Leite morno tem gosto de cuidado. De infância - não do tempo e sim do pensamento. Calor de carinho. Cuidado de mãe. Aconchego. Ternura. Doçura. Segurança. Supre essa minha carência sem fim. Dá vontade de voltar no tempo de ter mãe e de ser mãe. De ser amada e amar. E só. Bom demais da conta. Desce gostoso feito ele.

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