terça-feira, 24 de agosto de 2010

Meninice


Uma amiga me "marcou" numa imagem que realmente me define. De uma menina, alegre, a se balançar ao vento. Lembrei de cara como gostava - e gosto! - de balanços. O movimento do corpo a impulsionar, o vento na cara, a paisagem que se deixa ver por vários ângulos. Como se voássemos, pensei. Uma sensação de liberdade incrível que, sempre que posso, de cima de meus mais de 40 anos, experimento. É sempre único, mágica, inédita.
Mais que isso, sou uma menina. Uma menina que se esconde mal por detrás da mulher que me fizeram ser. Uma mulher imposta. Deslizo para dentro de mim mesmo, e de minha meninice, sempre que posso. Mora em mim uma ingenuidade nata, o que, por vezes, deixa-me em maus lençóis (de onde vem isso? lençóis só me trazem coisas boas...). Acho que por isso aceito as culpas, todas, feito menina acuada. Por isso acho que o erro é sempre meu. Como se aceita-se que os outros, ditos adultos, sempre tivessem razão. Esse é o lado não tão bom de ser quem eu sou.
Mas meu lado bom é melhor, e me pesa mais na balança do bem querer. Rio à toa, ou nem tanto à toa, já que quase tudo na vida faz sentido em achar graça. Rio muito de mim, o que prova minha aceitação fácil das coisas. Tenho sempre um bom sorriso na cara, mas isso para quem merece e recebe. Faço birra nas horas chatas, uma birra por vezes engraçada. A cada momento adulto que me detona, um outro, fresco, refresca. Basta eu estar onde quero estar. Acho graça do sono que me invade em plena leitura. E das recaídas da unha ruída, prova máxima de minha fragilidade. E mais: basta um recado, um carinho , uma lembrança do bem, e sacudo a cauda da felicidade. Pronto. Isso basta. Meu farol aceso na cara. Um par de verdes que brilha, os dentes que rasgam a boca para aparecer, a menina, de novo, a empurrar o balanço. Ouço o vento, sinto o frescor, vejo as coisas de outro jeito e vivo. Sempre da melhor forma.

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