quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Parada


Postei no facebook uma observação que foi bem comentada: o que está faltando é deixar nossas crianças serem crianças. Nossas crianças precisam mais de pé no chão e mãos no barro.
Não errei na observação, penso. Trocamos a "insegurança" da rua pela "segurança" da televisão e do vídeogame. Ou nas tantas aulas ditas necessárias. Levam vida de adulto, da escola para casa, da casa para a escola, seja lá ela do que for. Um rotina apressada que viverão para o resto de suas vidas - ou pelo menos até a sabedoria mandar parar para viver. E, ao invés de nosso filhos aprenderem como funciona a vida, como são as pessoas na vida real, como se comporta o vizinho do lado, o gari da rua, aprendem o que ela tem de pior. Vêem a natureza pela tela colorida, não sentem seu cheiro , nem sua temperatura. Não vêem o jogo de luz que o dia pinta em sua tela do céu. Nem o crescer da grama do pátio. Aprendem, sim, como as coisas funcionam, através do amigo eletrônico. Aprendem como é " fácil" dirigir no jogo da vez. Ou até matar. E nem sequer sabem falar ao telefone.
Criamos gênios da tecnologia que não sabem como nasce uma cenoura. Ou que o arroz talvez venha de outro país. Talvez achem que alfaces nascem no supermercado. E que frutas vêm em caixinhas. Que acham que roupas e pratos são autolimpantes ( disso, acho que têm certeza) . Que tudo se resolve num clique do controle remoto. Tudo cansa logo e se vai como se trocássemos de canal. Remoto sonho o deles. E o nosso.
E vou mais fundo: nada seria assim se não tivéssemos esquecido nossa criança interior. Levamos a vida por levar, sem tempo para carinho no sofá - a não ser que seja já pensando em sexo. Não sabemos conversar , a não ser que seja regado a alguma bebida. Não saímos para passear, a não ser que seja rumo a algum shopping center. Volta na quadra é coisa de louco, caminhar de mãos dadas coisa de boiola. Não temos tempo para tais "futilidades da vida", pois a vida espera muito de nós. Não se pode perder tempo.
Mas que tempo é esse, desperdiçado no passar das horas? Renovo meu ser a cada segundo no sol. Reativo meu cérebro a cada página amada. Refaço-me a cada palavra escrita. Rejuvenesço a cada gargalhada. Reponho minha energia gasta em cada mão que abraça. Reaqueço a alma a cada beijo retribuído. Assim levo minha vida. Um passo infantil de cada vez. Um punhado de cada vez para construir meu castelo.

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