segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Pois é...


Só hoje me deu conta que não escrevia desde quinta. E me peguei pensando o porque de tamanho silêncio. Talvez porque não tivesse nada a dizer, talvez porque tivesse tudo.
A verdade é que fico meio que fora do ar quando estou viajando. Mergulho nas coisas, sejam elas estudos ou trabalho, negócios ou pessoas. E me dei conta de que as horas demoram a passar quando estamos fora do nosso sempre. Como se também as horas prestassem mais atenção ao redor. Como se os minutos sentissem mais o aroma do café, o cheiro dos bolos, o novo perfume no ar. O gosto do novo recheio. O sabor do outro, do inesperado. Ou porque tenho-os, todos, só para mim. Espécie de meditação, diria. Mudar de ares, de ruas e de pisadas. Mudar de figuras e de palavras. Mudar de sotaques. Mudam as cores da cidade que passa. Mudam os olhares que troco ao passar. Muda tudo, tudo novo, mesmo em mim.
E fico pensando no porque cansamos no dia-a-dia, se as horas são as mesmas, se é o mesmo par de dias, mesmo sendo ele único. Deve ser o peso do cotidiano. O peso do aceito e feito. O peso do sempre feito. Da coisa calculada e certa. Do mesmo horário pré-descrito. Da mesa posta e mesmo prato servido. Do mesmo sorriso e da mesma tristeza, tendo a mesmice como companheira, sentada ao meu lado.
Por isso tenho vivido melhor cada dia. Ou tentado, dada a pressa das horas. Um cinema na quarta, um sorvete da hora. Um livro da estante, uma janta mais tarde. Um lanche com a amiga, um café com a comadre. Quem sabe um passeio no meio da tarde. Dá pra se fazer, ou pelo menos tentar. Basta ensacar a culpa ou substituí-la pela vontade. E lembrar que a vida é só uma, e muito tempo para viver do jeito que quero.

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