terça-feira, 10 de agosto de 2010

Curiosa


Inveja é coisa feia, já dizia minha mãe. Mas a tenho por alguém que sabe outras línguas. Eu arranho um italiano, que amo. Embrulho um portunhol de dar dó. Desisti do inglês, depois de anos de tentativas de passar do " o book in on table". E sonho em falar francês. "Un rêve".
Seria preguiça ou falta de foco? Talvez medo. Nada. Só mais um dos tantos prazeres que temos na lista da vida e que , um dia, quando resolvermos, enfim, ser felizes por completo , correremos atrás. Ou quem sabe eles nos vêm?
Isso puxa outro assunto. O de estarmos antenados com os sonhos, os desejos. Cedo ou tarde (isso existe?) eles vêm, como que chamados por nós. Como se tivéssemos um imã, um fio de atração. Por isso o cuidado com o que se sonha, com o que se pede ao papai do céu de mãozinhas cruzadas ao peito ainda quando pequena. Ou nas viradas de ano, quando se eleva os pensamentos, quando se pensa no que se quer dos dias. Pense bem, peça certo. Não faça pedidos vãos. Já passei por isso, já fiz pedidos incompletos que se realizaram com todas as pendências da falta de saber o que realmente queria para mim. São, por vezes, pedidos sem volta. Como um sonho - o doce, não o pensamento - mas sem o esperado recheio de goiabada. Hoje, assumo o que quero e espero ser atendida. Seja lá no que for. Seja lá como for. Meus sonhos são poucos e estou no caminho de alcançá-los. Que me venha a graça.
E ai me pego vendo tanta gente disperdiçando não seu tempo, mas vidas. Vendo novelas ao invés de descobrir o mundo nas páginas de um bom livro. Nas lágrimas de um bom filme, livros contados em cenas. Ou de uma boa e esperada conversa, os sonhos juntos. Ou da reconfortante e necessária troca de olhares de amor. Como se não tivessem mais sonhos nem vontades, a não ser a de se deixar levar. Não quero isso para mim. Não quero me perder na passagem vã das horas. Quero minha poltrona relaxante, uma manta no colo, um livro nos olhos, um cão a me aquecer os pés. Meus dedos e olhos a passear pelos caminhos sem volta. E tendo como paisagem de descanso o olhar infinito do outro em mim, feito mar. Também lendo, também vivenciando suas horas. Quem sabe um bom livro em francês. Quem sabe de uma nova lição a aprender.
Je, fait fille curieuse, autre fois...
(Eu, menina curiosa, outra vez)

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