quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Suor


Hoje pela manhã comecei três textos. E não terminei nenhum. Ou até terminei, mas com um resultado, para mim, nada positivo. Estava me sentindo diferente. Ou confusa. Tinha no coração só coisas boas, mas a cabeça de pretendente a escritora só escrevia coisas ruins. Fins trágicos para começos divertidos. Se fosse o contrário, belos textos teria escrito. Escrevia em redemoinhos, sem conseguir sair. Como se me afogasse num mar de dúvidas. Ou de incertezas.
Deixei de lado. Abandonei-os na primeira curva. Olhei para trás para me certificar que não me seguiam por debaixo da poeira da estrada do dia. Sai de surdina, sem deixar rastros, e segui meu mundo da melhor forma que podia. Não me pedi muito, nem exigi nada, a não ser a meta de entender o que se passava.
Cá estou eu, e neste momento me sei. Estava, na verdade, dividida. Entre as coisas que a vida me impõe e as coisas que quero dela. Deixei no branco do computador minhas mágoas e segui em frente. Fiz coisas que necessitava, sim, pois o dia é feito disso. E me dei ao luxo quase culposo de uma boa caminhada ao sol das 10. Rompi minhas barreiras e testei minha força de vontade, deixando meu corpo fazer de mim o que queria. Corri, trotei, andei depressa e devagar. Respirei fundo o ar quente da manhã. Senti o calor queimando minha pele. Senti-me viva. Deixei que minha cabeça desse as cartas - ou as passadas. Senti meus músculos sendo trabalhados, meu cérebro sendo oxigenado e , com eles, minhas ideias se abrindo ao mundo. E com elas, minha resposta.
É engraçado isso. Sabemos o que tem de ser feito e fazemos vista grossa, quase cega. Sabemos do que precisamos para estarmos mais livres, e deixamos para depois. Ou para nunca. Ou para amanhã, o que é bem pior. Como se certas tarefas fossem entraves. Como se fossem muros quase intransponíveis. Mas qual delícia ao sabê-las resolvidas. Ao ver a trava, enfim, solta.
Conheço-me o suficiente para entender. Um problema não solucionado se apodera de mim feito alergia. Ou coceira, destas que ficam chamando a atenção até que a gente se dê por vencida e meta, enfim, a mão, até virar ferida. Eu, hoje, venci. Não me deixei levar pelo deixa para lá. Hoje me resolvi, coisa pouca, coisa tola, mas é nestes pequenos gestos de me fazer valer , de fazer o que tem que ser feito que me realizo. É desenrolando esse fio enosado , ou os tantos, feito massaroca, que me sinto melhor. E volto, enfim, a escrever. De rédeas soltas. E pronta para outra.

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