quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Tic


Hoje acordei antes dos passarinhos. E curti, na boa, o silêncio fresco do amanhecer. Um barulhinho aqui, outro acolá, um canto de cada vez. Barulhos de longe da cidade que acorda. Não levantei logo, fiquei ali, curtindo o dia se espreguiçar antes de ir à luta. Curtindo o nada. O sol não deu as caras por completo, deixando o dia com cara de tímido, contrastando com minha energia de sobra.
Insônia é uma coisa estranha. Ou nem sei se chamaria assim, já que "apenas" acordei antes da hora. Ganhei umas horas a mais no relógio do dia. Um acordar sem motivo. E ficou aquela conversa chata, besta, discordante, entre o corpo que queria mais e a cabeça que já estava a mil. Não me importo, desde que não seja por problema, por aqueles pensamentos exaustivos - nunca bons - que pipocam na cabeça. Menos mal que foi logo cedo. Pude passar o dia de ontem a limpo, sem deixar sujeiras por detrás da cama. E agendar o de hoje, um daqueles que sobram tarefas para parcas horas. Um dia de passagem. Com uma calma que, pretendo,
seja minha companheira de jornada.
Agora é acordar com um bom café, destes, feito na hora. Já dei uma de motorista de filho, a secretária - sempre tão falante - ainda não chegou. Gosto desse momento meu. Gosto desse dia que começa devagar, sem o rompante das horas. Alimentar minha fome com calma, sobra de tempo. Escrever sem pressa. Um banhar-me para me sentir nova. O dia começa bem. De pé direito, e já de olho no mundo lá fora, que me espera. Tomara ele não tenha pressa de me viver!

Um comentário:

  1. Gostei muito do texto.
    Pausei.
    Recaminhei pro lado. E meio diagonal.
    Foi bom. Boa. Sexta-feira.

    ResponderExcluir