sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Ah, guria!


Sexta. E com um tempero a mais. Estou aportada em terras amigas. Hoje tem novidade por aqui, novas aulas e novo professor, e só isso já me enche de gás. E o calor do meu querido porto , sempre alegre, que bem me recebe cada vez que chego aqui. Até o sol veio me visitar.
Gosto do nome da cidade. Porto Alegre. Tem a cara dela. Independente do rio ser rio ou lago, gosto. Tem gosto de família. Recebe bem, feito parente que não se vê já faz um tempo. Como se minhas andanças por aqui na infância estivessem próximas, como se eu tivesse deixado rastros, feito João e Maria. Como se o tempo tivesse juntado o ontem e o hoje. Quem sabe por isso a cidade tem, para mim, jeito de passeio, cheiro de piquenique. Ando pelas ruas como se fossem as mesmas, como se fosse o de sempre. Cumprimento as pessoas como se fossem amigas de longa data. Como meu cacetinho(*) com a maior desenvoltura, enquanto rio das coisas diferentes, das palavras engraçadas, das falas cantadas, feito poema.
Sinto uma diferença enorme entre o povo catarinense e o gaúcho. A simpatia é a mesma, a fala fácil, o sorriso largo, mas aqui tem um ar de seriedade das coisas. Deve ser resquício de um povo lutador, guerreiro, que enfrentou quem quer que fosse para manter sua dignidade, para sobreviver em suas terras. Não é a toa que respira política. Mas da verdadeira, não da imposta ou inventada, deixemos claro. Um lado sério que entra no conversar cotidiano , e por isso flui.
Sem amarras, nem cuidados. Fala-se de peito aberto, e sem medo.
Ah, e ainda tem as piadinhas. As de gaúcho, sempre macho, segurando sua prenda (*). E dos porquês de amarem tanto Santa Catarina.Uns dizem que suas melhores praias ficam no estado amigo. E nos louvam, no máximo da chacota, porque os separamos " do resto no país". Deve ser o espírito separatista que vem do berço. Traz à tona o orgulho que tem. O orgulho do melhor pôr do sol e do céu de negrinho (*). E de assistí-lo levando no ombro a mateira (*), sempre pronta.
Ah...cacetinho é como se chama o pãozinho por aqui; prenda é adama que acompanha o gaúcho, de preferência os dois pilchados (vestidos a caráter); negrinho é como chamam o brigadeiro - não o militar, nem o céu dele , mas o docinho (...desculpas pelo trocadinho). Mateira é uma espécie de bolsa que leva os apetrechos para o chimarrão. Palavras - e costumes - que já estão me mim. Deve ser o espírito de cataúcha ( sou catarina, filha de gaúchos) aflorando em mim...
Mas, bah, trilegal...Vai um mate , guria?

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