segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Atenta


Caminhar faz bem, diz o médico, o terapeuta, e até o psiquiatra. Acredito. Mexe com músculos, todos, até o cérebro. Faz nossa pele renovar, enche nosso corpo de oxigênio, acelera o batimento cardíaco, renova as células, todas. Mas essas vantagens se pode conseguir em outro lugar, mais prazeiroso, enfim...um banho de saúde, dizem.
Mas, um simples caminhar diz mais do que se pode pensar, basta prestar atenção. Nosso jeito de dar os passos, um após o outro, diz muito, de nós e do dia. Se estou triste, desenxabida com a vida, como se costumava dizer, meu andar é pesado, quase um fardo. Então, aproveito o caminho para deixar para trás o peso dos pensamentos. E que os leve, feito os passarinhos de João e Maria, e sem achar a direção da volta. Se irritada, com algo ou alguém, meu pisar é marcha, compassada e firme, de sete de setembro, ou daquelas militar. Meu coturno bate forte na terra como se quisesse teimar. Mandar no mundo. Ou fazer tremer quem merecer. O ar sai com força, longe do tímido puxar, como se colocasse tudo para fora. Andar é limpeza. Faxina, das bravas, dependendo da hora e do que me fez zangar. Lembra os tempos que morava sozinha e fazia da limpeza ferramenta de acalmar, um santo remédio.
Limpar a casa limpa a cabeça, pode testar.
Ah, mas se feliz, caminho como se passeasse. Como ao sol à beira mar, a água batendo nos pés. Não olho relógio, nem marco passos. Piso leve, quase saltitante, bailarina, menina. Olhos atentos ou nem tanto. Observo o passar como quem vê um filme bom, como quem vê passarinho verde, como dizem por ai. Eu o vejo colorido, vivo, alegre. Levo como companhia meu melhor sorriso, distraído, solto, como se andasse ao lado da pessoa amada - se não do meu lado, dentro de mim. Esse andar é outro, um repouso no meu mundo. Um andar calmo, de mãos atadas, que ainda tenho que aprender. Um andar leve, levando a vida da melhor forma. Esse é o andar que quero para mim. Com paradas para risos descontraídos, para beijos roubados na esquina, para provar o melhor que ele tem para me dar.
É... meu andar fala muito de mim. Muito mais do que eu possa imaginar...

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