quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Balanço


Estou desde ontem a passo raso, diria, em relação à internet. O que poderia ser um caos para alguns, inclusive para mim que "vivo' disso, transformou-se numa bela experiência: tive mais tempo para viver.

Entramos num corre-corre quase sem pensar, apropriamo-nos de tecnologias que prometem facilitar nossa vida e nossa comunicação. E, quando faltam, damo-nos conta que mais nos escravizam do que libertam. Senti-me livre, sem a "obrigação" de estar on-line, sem a tarefa de estar sempre por dentro, sempre disponível. Não que seja essa a ideia, mas é difícil não dar uma entradinha se estamos ali à frente do computador ou lap. Nossas "amizades" estão ali, nosso álbum de fotos, nosso trabalho. O telefone não toca tanto quanto recebo imagens (ainda bem...detesto o barulho deles, coisas da infância...).

Aproveitei melhor o dia. Terminei trabalhos, li artigos , assisti um programa com o filho e o cachorro. Arrumei o escritório - que precisa, urgente, uma faxina, destas de arrepiar. Na falta da mania de estar ligada, liguei-me na vida. Reparei que minha casa precisa de reparos. Meu jardim, da visita do "seu" Arthur. Minha cara de uma limpeza geral. Minha vida, de mais tempo útil. Longe de dizer que a tecnologia atrapalha, pois tiro, bem ou mal, dela o meu pão. Descubro que pode aprisionar. Não no método tradicional, entre grades ou com bolas de ferro, mas no casulo do ter que. Como uma prisão domiciliar. O tempo passa lá fora, o sol vem e vai, e nem olhamos o céu. Nem as noites de lua cheia. E olha que me acho bem atenta à vida...

Só senti falta de me escrever. De colocar aqui, no papel digital, meu suspiro diário. Minha terapia, assumo. Como se meus pensamentos saíssem pelos meus dedos. Como se esvaziassem, de alguma forma, os tantos e tantos pensamentos que inundam meu ser. São tantos, de tantas formas e tantos diferentes pesos , que colocá-los para fora é uma espécie de alívio. Como se me deixassem mais leve, mais limpa. Eu que carrego tanto peso - muito além do que minha inimiga balança denuncia - agradeço. Enfim, eu, de novo, mais leve. Feito criança num balanço...

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