quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Entregue


Recebi, li, gostei:

“Sempre permaneça aventureiro. Por nenhum momento se esqueça de que a vida pertence aos que investigam. Ela não pertence ao estático; ela pertence ao que flui. Nunca se torne um reservatório, sempre permaneça um rio.”
Osho

Nunca se torne um reservatório. Essa frase reverberou em minha cabeça enquanto lutava, já sem paciência , para pegar no sono. De novo uma insônia criativa, do não querer deixar-se abandonar no mundo de algodão. Mas ai vem a parte mãe que diz que tenho que estar inteira no outro dia. E a parte profissional que cutuca e lembra que cedo tenho compromisso. Resolvo tentar dormir e levantar cedo.
Nunca se torne um reservatório. Água parada. Poço de restos. Se quiser ser reservatório, que o seja de coisas boas, não escuras, obscuras. Nem moradia de monstros que só fazem assustar. Apesar do lodo ser alimento de muitos, não me basta. Ando nela e cada vez mais a imagem de mim mesma fica turva. Prefiro as águas límpidas e transparentes, onde sei que estou pisando. Ver meus pés sob ela. Ver onde quero pisar.
Nunca se torne um reservatório. Sempre permaneça um rio. Penso nas verdades contidas ai. Até porque não tem melhor coisa que um rio. A água a fluir, a vida a fluir, o canto hipnotizante que mais parece de sereias saídas de filmes infantis. O frescor nas margens. A vida vivida incessantemente. Intensamente, mas sem pressa - a não ser que uma chuva torrencial inunde a nascente, como se para nos acordar. Um passar fazendo sua parte, tentando alcançar o que pode, deixando para trás o que não quer nos acompanhar. Um passar até encontrar meu mar. Um mar gigante, mas de ondas macias, espumas brancas de confiança. Um mar que em espera de braços abertos, como se dissesse: "Vem!"
E eu me jogando nele quase sem nem pensar. Minha entrega. Meu porto. Meu ponto final.

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