segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Parada


Dia calmo. Estou ainda em terras amenas. Depois de um final de semana revendo familiares e minha terra natal, hoje volto. Mais calma, abastecida do que sou. E do que quero. E de força, minha e da força que vem quando nos sentimos apoiados.
Meu irmão perguntou se eu pretendia voltar a viver em terras dantes vividas. Respondi que não. Sai de casa ainda bem cedo, antes da chamada maioridade. E, bem ou mal, acostumei-me a isso. Não foi uma mudança aos poucos. Foi do tipo "faz tua mala e vai". Enfrentei um mundo bem diferente do casa-escola ao qual estava acostumada, e gostei.Nessas fases de vida meio complicada, isso ajuda e muito. Sei bem que me viro como der, desde que deixe para trás orgulhosos podres.
A gente vai se moldando, tentando acertar caminhos, uns certos, outros nem tantos. Mas nada substitui o morar fora de casa. Mas não me refiro ao morar fora de casa de muitos, quando os pais dão todo conforto do mundo, mais até do que tínhamos no chamado lar. Morei sempre com outras pessoas, muitas meninas, tentei sobreviver, mental e fisicamente. Mais que faltas materiais, as quais me acostumei, a sensação de ser "sozinha no mundo", dá outra dimensão ao que somos, ao que pensamos da vida. Posso não estar numa fase muito boa - e sei bem onde apertam minhas bolas do pé - mas sei que sou capaz, desde que não em esconda, outra vez, sob a proteção de outrem. Proteção demais, pedida ou imposta, atrasa a mente, deixa a gente lerda. Fica uma sensação de se deixar levar, não de viver. Talvez eu esteja errada, mas esse foi o caminho que me deram. Malinha e nova vida, desconhecida. malinha cheia de sonhos e de comprometimento com tudo que tinham me ensinado. E só isso já me dava um bom texto. Não tive - e nem tenho - grandes apoios materiais. E o espiritual que me veio era pouco, mas o mínimo para que sinta , até hoje, que tenho para onde ir, se a vida me fizer tropeçar de novo. E isso já é um bom conforto, não acham?
Segunda meio perdida, véspera de um feriado tolo. Uma semana curta e muita coisa para fazer. Mal chego de uma viagem e pego outra, para a qual pretendo fazer uma transição saudável, meu oásis de me ser. Feriado no meio do nada é assim. Para os neuróticos, correria. Para mim, que tenho aprendido a viver com o que tenho sem me descabelar por pouco, produtiva. Mas no meu passo. Hoje ainda em marcha lenta. Caminhada na praça de mãos dadas com o filho, vendo as novidades por detrás dos vidros. Almoço sem pressa na casa da mãe. Amanhã, pôr a casa em dia - armários e vida. Mas amanhã é amanhã. Aproveito meu presente e abro-o de bom grado. Quem sabe o conteúdo vem perfumado. Quem sabe a paisagem vem bonita, na passagem de mais um dia pela vida.

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