domingo, 19 de setembro de 2010

Domingo


Domingo. Adoro caminhar cedo pela cidade deserta de pessoas e coisas. Passam por mim apenas os que pensam da mesma forma. Ou seguem a caminho do sermão do dia. E os caminhantes forçados, acompanhados de seus faceiros cães. Quem sabe um ou outro retardatário da noite, ainda a cata de um café ou procurando o caminho de casa. O silêncio só é cortado por carros baixos com som alto (muitos valem mais que o próprio, mais que o dono...). Resquício da surdez anestésica provocada pela noite ou reforço do mal de querer ser popular (que muitos confundem com "chamar a atenção"). E de alguns candidatos políticos sem noção, já que a moda neste área, gostemos ou não, são os jingles de mal gosto. Fred Mercury teria se matado se ouvisse seu clássico em versão de campanha.
Eu me divirto. Caminho sem pressa e sem hora. Passeio combinando com o dia, que me parece todo meu. O relógio só me avisa quando exagerei na dose e é hora de voltar. Posso encostar sem culpa meu nariz nas vitrines e fazer um balanço de a quantas anda o gosto exagerado da estação. Os estampados fortes me assustam, mas a delicadeza de outros me fascina. Mas vejo, enfim, cores, muitas, e isso em alegra. Não sou mulher de cinzas. Paraliso na frente de uma de sapatos e perco noção do tempo. Meu fetiche. Deve ser porque cabem facilmente em meu pé, mesmo quando a balança dá sinal de alerta. Pés estão sempre bem. Sapatos sempre servem. Adoro os sexies, mas compro os confortáveis - aos meus pés e ao meu bolso, casquinha feito a dona. Fico imaginando de onde vêm tantos números, sempre altos feito os saltos, se vamos nos desfazer deles quando o tempo - e a moda - mudar. Muito estresse, penso, para pouco prazer. Mais vale um que não me lembre que o tenho nos pés, nem na conta do cartão.
Mas essa virada de época me empolga, feito passadas longas. Fico animada para rever o que tenho, repaginar minha veste. A moda, se bem pensarmos, só pede uma revisada, uma ou outra peça que nos faz sentir que estamos in. O resto é pura criatividade.
Mas cá estou eu de volta, sã e salva de compras e outros perigos do dia. Agora é ver o que faço do resto do meu. Não será um dia laranja, como amo, mas pretendo colori-lo da melhor forma, feito as novas /velhas cores da estação.
Dizem que o Criador descansou. Eu quero mais é bater perna!

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