quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Pois é...


Feriados, acho, mexem com a cabeça das pessoas. Antes dele, pensamos só nele. Durante, pensamos em nada. Depois dele, pensamos no pensar de antes e do durante, tudo de uma vez só. Hoje, tudo tinha fila. Nas ruas - agravadas pela chuva e pelos perdidos de plantão - nas lotéricas, nos bancos, nas caixas mágicas de onde sai - ou entra - dinheiro, na entrada do supermercado, nos caixas do mesmo. No feriado já estava tudo assim, conturbado, como se fazer compras fizesse parte do ritual do dia - o que me fez desistir de minhas compras semanais, que, deixo claro, detesto fazer, mesmo sem gente por perto. E, pelo que me lembre, o mundo já estava assim antes mesmo do final de semana prolongado. O medo da fome mata de ansiedade. E dá uma impaciência do cão.
O dia da independência se foi, e com ele a liberdade dos dias calmos. Da cidade deserta de pessoas e pressas. Podíasse dançar no meio da rua se quisesse. A moça da lotérica estava lá, ao dispor de ninguém. Como para niguém estava a moça da fila de carros. Um passar lento das horas, como se fossem o dobro. Quem sabe o relógio também foi passear?
E hoje, the day after, um sem fim de notas, contas, códigos de barra das quais se rezou para que funcionassem. Se pensarmos que se pode pagar contas das mais criativas formas - agendadas, via internet, nos caixas eletrônicos, nos bancos, em muitas lojas conveniadas e sei lá mais de que jeito, pode-se pensar nos porques. Ou, como gosto de brincar desde sempre: "seria o fim do mundo?" Será que o mundo vai acabar e não me avisaram? E se vai , enfim, acabar como prometido, porque pagar as contas? Para poder entrar no céu? Leva-se as contas na vida após a vida? Lá tem SPC? Mas, nem vem... a promessa de final dos tempos era para 2012? Será que adiantaram para nos pegar de calças curtas - melhor dizendo,- geladeiras vazias? Desisto de entender e sigo sem parar. Nem de andar, nem de pensar. Tocando o barco, mesmo sem maré.
Peguei-me rindo de minhas divagações "nostradamusianas", minhas dúvidas espiritualistas, minhas notas de credulidade expostas a boca aberta, esparramadas entre os dentes, no sorriso irônico. Feito conversa de mim comigo mesma. Meu anjo e meu demônio rindo de si mesmos. E das tantas m...que me passam pela cachola. Um infinito delas. Processador automático de mim mesma. E do mundo.
É, tenho que concordar, brasileiro deixa tudo para a última hora do último dia. Tentar o gol nos 47 minutos do segundo tempo, quando o juiz olha mais para o relógio do que para o jogo, já pensando na janta que o espera. Ou, alegre como é, talvez se divirta em esperar. Quem sabe notando os outros, conversando com o da frente, reclamando do alta de preços ou da baixa do dólar. Quem sabe deixando a vida passar para ver se o fim do mundo espera um pouco mais. Quem sabe o fim do mundo está ali, nessa fila, e vai se atrasar. Ou enrolando, sem pressa para voltar para o sofá.
Sento no banco do carro e respiro fundo. É hora de voltar para casa.

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