terça-feira, 7 de setembro de 2010

Recheio




Reclamaram que estou com textos muito tristes. Reconheço e aceito a reclamação. E me envergonho, se querem saber. Sempre fui elogiada pelo meu espírito de dar a volta por cima, como disse o recado da amiga. De rir feito menina. De por nestas páginas meu lado leve, eu como sou. Não sendo aquela que se deixa levar, não levando tão a sério o que me machuca, ou incomoda. Peguei-me pensando. Quando será que deixei de lado meu lado otimista? Não sei, mas dado ao fato das pessoas terem notado, revejo meus passo. E minha escrita.
Está certo. A vida não está como eu desejava, não de todo. Mas, para quem está? Não dá para se dar ao luxo de esquecer as partes boas. Se o bolo que vem não agrada de todo, faço como sempre fiz, apesar da lição paterna de não deixar nada no prato: como o que me é de agrado. O que é de regalo, como diziam os antigos. Acho no meio do todo as partes que me cabem, e deixo, sem dó, o "resto" no prato. Quem quiser que se sirva! E se tiver que engolir algo que me entala na garganta, sem problemas: basta um belo gole dágua. Ou do que tenho de melhor!
Ah, e meus recheios bons são tantos. Tão fortes. Plenos de Amor. Repletos de paixão pela vida. E tão importantes para mim. São meus, tão deliciosamente colocados, que nem deveria sentir o gosto amargo dos recheios impostos. Esse final de semana grudada no filho foi uma boa dose - e porque não dizer overdose - de meu lado bom. Muita brincadeira, muito carinho, muita conversa, muita gargalhada. Muita Vida. Um pouco do que prezo e tenho. Vejo nele um pouco - ou muito? - de mim. Passei para ele, e disso posso me gabar - meu lado leve de ser. E mais que isso: traz, por vezes, um lado nada esperado de um adolescente. Um jeito nada infantil de ser, enquanto ajuda o avô com dificuldades , enquanto escuta as histórias da avó criativa. Conversa de igual para igual com quem quer que seja. Acha graça de tudo porque aprendeu a respeitar as diferenças. Aprendeu a respeitar as pessoas como são. E os momentos como são. E vivê-los da melhor forma. Todos. Por vezes, parece que aprendeu mais do que eu...
É...Ensinei a ele muita coisa boa e acho que agora está na hora de relembrar com ele. Ou relembrar quem sou. A ser mais compreensiva, inclusive comigo mesma. A me aceitar como sou, sem ver apenas o outro lado, se as coisas não vão como queria. A fazer da vida uma grande brincadeira - não daquelas estúpidas, mas das que nos encantam. Que nos fazem crescer. Que nos iluminam. Trazer à tona meu espírito mais leve, minha criança interior. Meu brilho nos olhos. Meu mar brincalhão de verão. Meu melhor sorriso, meu som mais gostoso da gargalhada que sai sem nem sentir. Minha melhor forma de ver a vida. De vivê-la. Porque sei que disso depende o sorriso de muita gente, inclusive o meu. Quase um alívio. De me saberem bem. De saberem o quanto me são imprescindíveis. De saberem o quanto os amo, até mais do que eu. Que são meu sol. Meu prumo. Colo. Tempero. Doce. Recheio da vida. Mesmo que nem sempre os diga.


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