segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Tempo


Segunda é sempre um dia chato. Não sei se por fama ou fato. Ou se apreendemos a lição do gato Garfield. E com essa chuvinha mole, minha vontade é cair na cama e esperar a terça.
Acho que isso acontece quando o final de semana foi muito proveitoso. É como se quiséssemos prolongar a sensação de bem estar. Tive um daqueles, perfeito. Calmo, cada tempo para cada coisa. E muito dele para mim. Ou porque a semana bate na porta de força insistente, mesmo sem ter sido convidada. Ela tem pressa; eu não.
Mas o que fazer se o tempo não pára? Já faço meus planos. Nada de grandes rompantes. Arrumar a passagem das horas, vivê-las da melhor forma, tendo a saudade como companheira. Quem sabe fazer da segunda, domingo. Quem sabe pinta uma pipoca. Ou um picolé. Quem dera um livro. Muito do que tive, quem sabe abraço e beijo. Muito do que tive, boa conversa, riso e sossego.
Acho que a gente se debate nuito e morre na praia. Como se o tempo pudesse ser dominado. Um desespero sem causa. Saimos do faço o que quero para o que querem que eu faça no passar da noite. saimos do tudo para o nada. Deve ser por isso que o primeiro dia dito útil da semana não nos parece assim tão útil, mas se impõe como tal. Abre na nossa mesa uma agenda fora do normal. E, como se fossemos Ferraris, tentamos partir do zero ao cem em segundos, basta acordar. Deve ser dai o ranso. Deve vir dai a antipatia do dia. Coitado, que nem tem culpa de nada. A culpa é dos homens e sua imposição de jornada.
Segunda é sempre um dia chato, mas vou vivê-lo da melhor forma. Preenchê-lo com abraços, rever meus passos dados, ver o que tenho ou não de fazer. Ver o que posso ou não deixar para amanhã, desde que não seja a vontade de estar feliz. E aprender que o tempo pode ser companheiro. Que podemos fazer as pazes, quando ele parar quando mereço, correr quando tenho pressa. Que o tempo pode estar do meu lado. Que o tempo pode também ser amado. Assim como eu. Mas não custa rezar:


Oração ao Tempo
(Caetano Veloso)
És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...
Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo...
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo...
Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo...
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo...
O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo...
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo...
Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo...
Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo...

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