terça-feira, 19 de outubro de 2010

Leve


Desde pequena não tive muitos apelidos. Era Dada e virou Jacque, que virou nenhum. Nenhum "pegou", como se diz por ai. Quando estava na faculdade, tive outros tantos, nada convincentes, mais combinados com momentos, apenas. Passantes, como eram os motivos. Dos que me lembre, um era Cinderela, a que ficava a noite toda acordada se sobrevivesse ao bater das 12 badaladas chamando a madrugada. Esse eu achava graça. Essa era eu: bastava passar desse horário e seguia em frente, com pique total até para apresentar o trabalho na manhã seguinte. Outro, que até pegou -  era Joca. Nem sei bem de onde veio. Minha irmã ainda me chama assim, por vezes. Gosto de apelidos, mas de uma só pessoa. Cúmplice. Como um chamado exato. Só nosso. Gosto.
Lembrei de outro, que eu adorava a referência, mas não o significado: Susanita.Quem é ou já foi amante das tirinhas da turma da Mafalda, do gênio Quino ( transformar realidades duras em coisa engraçada, só mesmo usando da fala de uma criança...). Adorava a figura, a loira de cabelos encaracolados e sapatinhos bonitos, mas sei bem onde a coisa me puxava. Os "antenados" da vez, "politizados" com se diziam ser, viam em mim a sonhadora menina, que mais estava preocupada com seus sapatos de verniz do que com os problemas do mundo. A comparação me deixava triste, mas hoje assumo que não estavam muito longe de minha real definição. Queria era estudar. E viver também. Não me cabia ficar enfrentando - nem discutindo -  lutas que não me pareciam minhas. Vinha de uma família onde política era palavrão, literalmente: meu pai xingava, apenas. Nada me foi passado além disso. E a realidade da vida pouca de estudante já me era bastante "mafaldiniana". Regradíssima. Mas nem por isso deixava de ser divertida. Sigo Susanita em muitos pontos, doa a quem doer. E, por vezes, dói mais em mim mesma...
Cresci. E hoje eu mesmo me denomino. Faz parte da minha crítica, ou fuga. Sou Alice nas horas saltitantes. Sou Poliana nos dias em que acho que tudo está bem, mesmo quando não está. Susanita quando  quero aloprar. E outros tantos e tantos mais grotescos, quando quero me "auto ofender" - se é que essa palavra existe - física ou moralmente falando. Mesmo assim tento ver o lado positivo. Divertido. Porque é rindo de mim mesma que me reconstruo. Ou me acho. E desisto de tentar ser o que não sou.
Defeitos? Tenho, muitos, já assumi aqui. Um deles é ver  - ou pelo menos tentar ver - sempre o lado melhor, o mais luminoso. Lado rosa, podem dizem. Ou esperar por ele. Isso me dá base. Não sei viver em pleno escuro. Tenho medo. Não enxergo nada além de mim. E nestas horas, a gargalhada me dá segurança. Nem que seja para espantar fantasmas. Ou para errar de cabeça erguida. E feliz.

"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro".
Clarice Lispector

Um comentário:

  1. AH!!! JJ também é interessante.
    Parece nome de jornalista.
    Xau..JOTA JOTA
    MEG

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