domingo, 17 de outubro de 2010

Aprendendo




Engraçada - ou não! - essa vida. Já não chega as tramas verdadeiras, os fios invisíveis bem amarrados do dia-a-dia a tentar nos derrubar, ainda criamos os fantasmas. Uns criamos do nada, onde supomos podem estar. Talvez por mania, vício ou até questão de sobrevivência.  Outros vem do que vimos, presenciamos, ali, bem na gaveta mais próxima. Basta achar os "tesouros" e todas as almas nada penadas - algumas lindas! -  vêm a nos atormentar.
E meu caro leitor - ou minha cara leitora -  já deve ter notado que não falo dos fantasmas de cinema, nem dos exorcizados por alguém em cena, ou de tantas e tantas lendas das quais sabemos. E outras tantas que se escuta. Basta sentar ao lado de algum velho mais criativo, de preferência à noite, olhando o fogo do fogão a lenha, olhar perdido. Ou vivido. Quem já não povoou sua cabecinha lesa de criança com eles? Das brincadeiras do copo à s histórias ouvidas ou imaginadas - ou as duas?. Quem já não dormiu sufocada pelo edredon e pelo medo?Se você não apssou por nenhuma destas cenas, não sabe o que está perdendo. Não sabe o que já perdeu. Fantasmas da infância sempre ficam na memórias das boas lembranças. 
Ah, mas fantasmas  na vida de adultos, estes criados por nós, não deixam nada de bom. O fantasma da vida mal vivida. O fantasma de não se saber querida. O fantasma de ter escolhido um mal caminho. De ter resolvido mal as coisas. De não se saber mais se é, ou o que se quer, além de ser feliz que, é claro, até os loucos o querem. O terrível fantasma do amanhã, geralmente o mesmo que nos assombra há anos. Os fantasmas chamados de traumas pela psicologia . Os chamados de incertezas. Os que tentamos guardar a dez chaves (sete é pouco!), mas que fogem ao menor descuido.
Tem gente que gosta. Devem sentar e tomar um café em companhia deles. Fazer deles, amigo. Coadjuvante - ou até protagonista - de suas vidas. Eu não. Dão-me arrepio. Sinto reverberarem em mim, como se corressem em minhas veias. Vibram em mim em todas as minhas instâncias. E  meu ego, superego, id e tudo o mais. Nas tantas Joyces que vivem em mim. Nãoo deixam nada de fora. Nem meus dedos que tremem ao tentar teclar. Bomba de drenalina, parecem. Droga maligna. matam, se eu não me cuidar. Uma morte lenta e sarcástica, de dentro para fora, sme chance  de cura se eu deixar.
Por isso gosto do meu jeito Poliana de ser. Basta uma risada bem dada, uma gargalhada fantasmagórica, e eles fogem. Ou apenas se escondem, tanto faz. Não deixo que me dominem - até porque não em ajudam, só atrapalham - e de coisas a me atrapalhar, já estou farta. Já avisei que estou guardando as pedras para fazer um castelo. Nem que seja para o cachorro. Quando topo em uma, destas que dói, abaixo-me para catá-la e guardo. Nunca sei quando vou precisar para calçar algo ou afugentar algo ou alguém.
Muitos criticam meu jeito "infantil" de ser. Meu jeito de "ir levando". Não sabem que estou atenta. Que sei distinguir as tempestades de verão das terríveis e avassaladoras. Sei como me proteger. Sei quando devo desviar para que não me matem. Não pretendo dar uma de heroína. E sei quando são passageiras, feito as  chuvas de granizo.  Deixo caírem. Já sei que elas derretem.
É, essa é a minha frase:
"Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo."
Dizem que é de Fernando Pessoa...

Poderia eu, com perdão do poeta, fazer a minha? 

Tempestades no caminho? Admiro-as, todas.
Um dia não me meterão mais medo.


4 comentários:

  1. Te tenho com muito carinho!

    cheiro na testa!

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  2. é, temos sempre uma criança dentro de nós!!
    Deixemos aflora-la então!!
    meu ultimo post diz exatamente sobre isso!!
    ehehe
    beijos

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  3. "Ah, mas fantasmas na vida de adultos, estes criados por nós, não deixam nada de bom. O fantasma da vida mal vivida. O fantasma de não se saber querida. O fantasma de ter escolhido um mal caminho. De ter resolvido mal as coisas"

    Adorei teu texto menina... escreves muito bem...

    :D

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  4. É bem isso... nós é que parimos e alimentamos os nossos próprios fantasmas...E depois nos queixamos que viraram monstros...

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