quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Luz




Dia curto e cansativo. Poucas horas para o muito que queria - ou tinha - que fazer. Deu nisso. Está bem perto da carruagem virar abóbora e a Cinderela virar uma qualquer. Bem perto das trágicas badaladas da meia-noite. E eu poderia pensar num ditado, meio até que rimado, tipo " leite morno traz o sono". Antes de subir e rezar para ter uma noite dormida (bem dormida já seria muito privilégio...), tomo uma xicara do líquido ouro branco, devagar, já esperando seus possíveis efeitos, quase um milagre.Ou como se diz na gíria moderna: "baixando a bola". Fico aqui pensando a que bola se refere...
E repasso o dia como se riscasse  a agenda. Fiz muita coisa, outras muitas ficaram para amanhã. Animei-me com umas, decepcionei-me com outras. Mas, enfim, tudo é válido, já que minha alma é enorme.Então lembrei -me da notícia do dia - e de tantos - da retirada dos mineiros de sua cova mal tratada no Chile. Tragédia de números. Tantos homens, tantos dias, tantos metros os separando da vida. Tantas horas em pura penumbra, disfarçada por reles focos de luz. Uma sala de poucos metros para reunir, um corredor para meditar ou afastamento do todo, um fundo para as necessidades, "aquelas". Nem na vida desesperançada se pode perder tais espaços. Até lá, no mais profundo isolamento , era - foi - preciso ter mais de uma opção de conviver. E uma certa organização, uma certa disciplina, um certo querer. Sem isso, estariam eles vivos? Duvido. O caos assinaria  a própria versão do caso. E admirei-me de ver com qual ânimo saíram. Agradecidos. Em nenhum momento se viu quaisquer sinais de revolta. Bela lição.
Mas, voltando ao leite já frio e às vacas magras (felizes delas...) - e fugindo do tic-tac ameaçador das horas - , tive um dia estranho. Pus a culpa no cansaço. Na falta de perspectiva. Na falta de compreensão do mundo. Na falta de meu sorriso nos lábios, hoje de mal comigo. Na falta do amor em mim. De um porto que me abrace. E relembro os mineiros. Agora, bem na hora de me despedir do dia. Talvez depois do escuro, venha a luz.  O negócio é dar meu melhor e ir seguindo. Ir esperando o regate. E "sem deixar a peteca cair",coisa que era muito boa na infância.  Hoje já não sei.
Minhas pernas - e meus reflexos - não andam lá estas coisas...

Um comentário:

  1. às vezes quando meu dia está assim lotado e, ao final do dia, eu digo com grande satisfação; "eu me sinto viva"...ão parecer, Apesar de não parecer, o corpo não responder rsrs mas essa é a verdade.. Se não tivesse nada p fazer.. nossa como seria uma pessoa q não faria outra coisa a não er reclamar..

    Isso é bom!!
    bjusss

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