sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Ora, bolas



É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração...

 Essa frase deve ter sido feita para mim. Sempre acho, por detrás destes olhos de ontem, que sempre fica mais  fácil viver se temos um belo sorriso na cara, um brilho cativante nos olhos. Não, não sou tão ingênua a ponto de  esquecer os problemas. Nem preciso. Eles latejam em mim o tempo todo. Estão ali, bem na minha frente. Mas será que ficar tamborilando neles, como que catando feridas, ajuda em algo? Não, não os nego. Mas bem sei que feridas cutucadas com afinco viram crônicas, quase sem saída. Não, e nem espero que se resolvam sozinhos, feito cicatrizes. Cuido delas, fico atenta. Podem até ficar em mim, mas suaves, bem vindas, minhas. Como que a me lembrar do que passei. Como que marcar para não esquecer. Feito lição.
É, mas errar é humano. Continuar, já sabemos no que dá. E quantas e quantas vezes aceitamos estar errados, juramos de pés juntos (alguém sabe de onde vem isso?) não mais repetir os mesmos e mesmos erros e , na menor distração, lá estão eles a nos fazer companhia? Sina, tatuagem, marca registrada. Vício. Gostar se sofrer. E ficam a encher cada vez mais nossas gavetas já lotadas de promessas. Vãs.
Umas menos, outras mais, mas todas vãs. Vazias.
Minha mãe falou certa vez que para fazer poesia precisava da tristeza. Não discordei, dado que já  fui tentativa de poeta. Meu primeiro poema, pasmem, vinha de minha cabeça de então seis ou sete anos, mal sabia escrever. A matriz, já poetiza, corrigia palavras e rimas. E era triste ( não eu, a poesia).  Ganhei prêmio na adolescência. E era triste, eu e a poesia. Como se colocasse ali no papel a minha. Talvez influenciada pelas aulas de literatura do colégio de freiras. Ou das letras chorosas das aulas do "tio Neri"
(devo a ele meu amor pela boa música...) .
Achava romântico sofrer por amor. Ou por nada. Achava lindo. Um sofrer platônico à espera de inspiração.
Ou seria o contrário? A princesa à espera do príncipe que não veio. E quando veio, veio homem.
Veio verdadeiro. Inteiro.
Fez da menina, mulher.

Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não
(Samba da Bênção, de Vinicius de Moraes e Baden Powell)

Nem samba. E nem poesia. Vou deixar para ser poeta outro dia...


3 comentários:

  1. o gostinhod e ver sua postagem bem "quentinha" rs adoro o jeito q escreve! Tão intenso e verdadeiro!

    bjus

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  2. tenho um blog.. Não tão intenso e lindo qnto o seu rsrs mas tenho. Visita.. vou adorar sua opnião!
    xeru grande!

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  3. ops rs o blog.. eh lemieveritah.blogspot

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