segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Três verbos


Esquecia de contar: fui assistir, sozinha, o filme Comer, Rezar, Amar, baseado no livro de mesmo nome ("aquele", famoso...). O sozinha deu um gostinho diferente. Como se precisasse dele. Como se não quisesse ouvir as criticas do depois. Como se o filme fosse meu. Simples assim.
Mas voltando às imagens e falas, muitas, lembrei de anotar algumas que darão - se não mudar de ideia até lá - um bom caldo. Ou, melhor dizer, um bom texto. Pano para a manga. Ou para o vestido todo. Mas antes que me entregue aos meus pensamentos, vou elogiar a fotografia do filme. Mostra a Itália como ela é ( Comer) , a Índia como imagino (Rezar) e Bali ( que significa "adoração") e sua leveza, sua alegria (Amar). Podia sentir gostos e cheiros, se me permitem dizer. Se lhes é possível imaginar. Entrei tanto no filme que nem lembrei das guloseimas compradas ( e devoradas depois, feito sobremesa ).
No Comer, a Itália como ela é. Lotada de boa mesa, ou seja, bons e fartos pratos, acrescidos de alegre companhia. Alegria. Movimento. Fala, muita, e sempre acompanhada de gestos largos, típica dos italianos ( é..tem no sangue...). O vermelho dos vinhos e dos molhos. A gula desavergonhada. Aprendemos sobre se dar ao prazer da vida - nem que isso custe uma calça apertada. Da comida remexendo com todos os sentidos. O dolce far niente tão mal compreendido. Aprendemos a amar o exagero da vida. E regalar-se com ele. Deleitar-se. Sem culpa ( bom, pelo menos no filme...).Descobri-me mais italiana do que pensava...
No Rezar, a paz da Índia. A simplicidade das coisas, faladas e vividas. A procura por um Deus, sempre tão idealizada, sempre tão distante, sempre tão difícil. No meio do caos urbano, o ashram, que traduzo por minha própria conta e risco, oásis de nós mesmos. Vem do sânscrito, a chamada "língua dos deuses", e significa "aashraya", proteção. Um lugar para se isolar do mundo dos outros e achar o seu, eu diria. E a bela lição: sem perdoar a nós mesmos, ninguém o fará. Parece piegas, mas nos livra de muitas culpas, essa bolas de ferro que atrapalham nosso caminhar pelos dias. E do achar nosso papel diante da vida. Ou os tantos. Um deles, o de ser o que sou, e nisso estar o meu deus, dentro de mim. Parece fácil... E dê-lhe meditação!O que já experiementei e sei dos favores.
E , por fim ou começo, no Amar, já em Bali, a finalização de uma procura e o começo de outra. O amor encontrado em uma das 13 667 ilhas da Indonésia ( soou como" agulha no palheiro"?). No encontro despretensioso com o amor, neste caso quase trágico, não fosse divertido - muito a aprender. De como encaixar o amor em nossa vida. Em como ele faz parte de nosso viver. Em como ele faz parte de nossos medos, mais até do que de nossos anseios. Ou, como dizem em certa parte, do desequilíbrio que traz o equilíbrio. O equilíbrio , tão procurado, não como soma de coisas bem resolvidas e fáceis, de pesos iguais e limpos, da balança correta dos mil lados do que somos. Mas da soma - à primeira vista - desgovernada de tudo o que somos. Do todo. Do total. Do bem e do "mal". É...agulha no palheiro. E sem bem do que falo...
Alguns filmes tem destas coisas. Pelo menos em mim. Ficam reverberando, vibrando, às vezes por horas, às vezes por anos, como se entranhassem em minhas células. E sabe lá quanto tempo vão estar. Uns, poucos, já fizeram morada em meu cérebro. Outros em minh'alma. Se, como dizem, quem lê, viaja, quem vê um filme, faz o que? Vive?
( Ps.: achei esse colar na Internet. Amei. Quem souber onde tem, me avise!)

2 comentários:

  1. Olá
    Estou nos utlimos capitulos do Livro... nem quero ler seu post inteiro, pq assim que terminar corro para o cinema.
    O livro eu posso falar, indentificação pura.
    Me encontrei em palavras.

    Adorei seu blog.

    Beijoss
    Ps. Tbm quero o colcar

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  2. Se antes queria ler e assistir ao filme, agora então.. nem se fala!rs

    vou me encantando a cada post teu.. a cada palavra tua.. estou fascinada!

    bju na testa!

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