sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Verdade



Se a "verdade" fosse aquilo que posso entender, terminaria sendo apenas uma verdade pequena,
do meu tamanho."
Clarice Lispector em A paixão segundo G.H.


Descubro isso lendo. Parece um buraco: quanto mais de cava, mais fundo. Ou seria profundo? Ou "quanto mais se sabe, menos se sabe", já disse alguém por ai. E vivendo de forma intensa cada momento que me deixa vivê-lo. Já se foram quase 20 livros desde que comecei minha caminhada para uma "nova" vida, dentro da vida que resolvo levar. Li de tudo: o que me indicavam por dever, o que me indicavam por querer, o que me pousava de forma lenta no colo. Ou o que me caia nas mãos ao passá-las pelas prateleiras da livraria. Às vezes até parece que são os livros que nos escolhem...
Li  de todo tipo. Os que ansiava e me decepcionaram. Não por serem fracos, mas porque sou outra. Os que nada esperava e me deram o susto de devorá-los de uma hora para outra. E outros que tenho medo, como se tivessem uma aura. Muitos precisarão de mais de uma visita, outros de muitas. E os tantos, tantos, tantos, que ainda quero ler. Alguns estão ao meu alcance, mas talvez não seja a hora. Livro tem disso: só cai na nossa mão quando tem vontade. Quando sente o nosso chamado. Ou seriam eles que nos chamam?
Aprendo, depois de passar da meia idade - se é que viverei tanto - que não sabia viver. Passava. Porque nada se sabe da vida sem passar pelos livros. Só se sabe do hoje sabendo do ontem. Só se sabe da gente sabendo dos outros. E, confesso, fora os rompantes de certos tempos - aqueles solitários, onde se acha melhor nossa própria companhia e dos livros à dos outros - quando lia muito, fiz muitas paradas. Paradas totais, quase greve, ou desprezo, como se eles não existissem. Como se o outro não existisse. Como se não existisse o mundo. Nem o passar das horas. Nem ao menos dos anos. E quantos ficaram a margem da cama esperando que me interessasse. Solitários, na ânsia que eu os pegasse e ao menos foleasse, fingindo interesse. Que deixassem de ser meros objetos de decoração (pobres deles ou de mim?). Se não os li, amigos, é porque não os merecia. Porque livro, por pior que seja, merece ser lido, já que é essa a sua meta, seu fim. Nem que seja para se ver o que não se deve escrever . Nem ler.
Mas, voltando à "verdade" de Clarice -  assim mesmo, entre aspas, já que não acredito existir uma só, nem só a minha, nem só a do outro -,  minha verdade seria bem pequena. Não pelo meu tamanho em medidas, nem pelo tamanho de meu saber. Nem pelo egoísmo de me achar o centro das atenções de mim mesma. Nem ao menos pelo tamanho de minha curiosidade, infinita e gulosa, o que faria da verdade algo imenso. Mas porque a verdade, para mim, é imensurável. Através dela vem outra, e mais outra e tantas, que parecem um sem fim. Labirinto de ideias, daquelas que nem sempre se acha o final. Ou se quer achar. A verdade deve ser como a felicidade:  mais vale o caminho que o achado.
Então, deixa eu voltar para o meu livro...



Um comentário:

  1. falando de livros...Olha, quero te indicar um livro.. "desculpe se te chamo de amor" de Federico Moccia. É espetacular.. Acho que te "salvaria" um pouco de tudo o que ta sentindo. É um literatura juvenil, o autor é italiano, é divertido, um romance.. Leia.. e, deguste da boa leitura que verá! Tenho certeza!
    Abraço com muito carinho!

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