terça-feira, 23 de novembro de 2010

Dos


Estava lá, no livro do Zygmunt Baumann, A arte da vida :
Para Max Scheler, filosofo alemão ( 1874-1928), “ o homem é antes de ser um ens cogitans ou um ens volens ( um ser que sabe e um ser que deseja) , é um ens amans ( um ser que ama). O coração vive suas próprias regras e é surdo – ou corajosamente desobediente - às regras dos outros. Nesse sentido, o coração é semelhante à razão, também conhecida por rejeitar empréstimos de outras lógicas. O coração tem suas próprias razões. Segundo suas razões, o coração constrói o mundo como um mundo de valores. O amor ama, e amando sempre, enxerga além do que tem nas mãos e que possui. O impulso que o guia e incita pode se cansar, mas o amor não". Já para Erich Fromm - aquele mesmo, dos livros -
 " o amor é basciamente, dar, não receber".
Então...descubro isso em um livro que fala de tudo um pouco na busca da felicidade. Não, não é um livro romântico, mas descubro que até os grandes filósofos amaram. Ou amam. Porque não nós, simples mortais? E ponho na minha lista de leitura o livro de Leandro Konder, médico e filósofo brasileiro, que discorre sobre o assunto em seu livro Sobre o Amor, onde relata as experiências de autores clássicos da literatura, da filosofia e das ciências humanas com esse sentimento tão complexo ao longo do tempo e da história das idéias. De Sócrates e Platão a Drumonnd, passando por Goethe, Shakespeare, Camões, Freud, sem deixar de lado Marx (sim, até ele) , até mulheres como Simone de Beauvoir. Fora os grandes poetas, todos, que levaram a ferro e fogo suas paixões, na vida real ou só no discorrer de seus pensamentos sobre algum papel. Amaram, cada um a seu modo, seu jeito e seu tempo. Sentiram o coração disparar, nem que tenha sido ao ler seus próprios poemas. Até Clarice Lispector, com toda a sua amargura aparente, amou. Se não amou, mentiu, em tantas em tantas letras, em tantos e tantos poemas e textos. E tem , ainda, as famosas cartas de amor, tema do livro que ainda hei de ler - Cartas de amor de mulheres famosas, ou algo assim, da escritora alemã Petra Müller. De Marilyn Monroe (até recados em nota de lavanderia) , de Frida Kahlo (bem retratado no filme homonimo e no livro Cartas Apaixonadas de Frida Kahlo, de Martha Zamora. Ah, e nossos poetinhas do violão e piano, quanto amor em verso e prosa, muitos amores imortalizados por vozes mágicas, como de Elis. Do brega ao chique, todo mundo ama.
Pego-me pensando se alguém algum dia fugiu disso. Ou fugirá. De amar e ser amado. Ou de amar e não ser correspondido. Ou de achar que amava, mas descobrir que nem tanto. De achar que amava o que era na verdade ódio, seu vizinho mais próximo. Se até os "imortais" amaram - e amam - então, todos já passaram ou estão passando por esta experiência. Ùnica, diga-se de passagem...
Ah, o amor. Quando o eu e o tu vira nós. Quando nada mais tem graça sem o outro. Nem o riso e nem o choro. E digo mais: o amor parece que fica mais forte, mais romântico, muito mais amado se dito, escutado, declarado, cantado, em espanhol...

"Si te quiero es porque sos mi amor mi cómplice y todo,
y en la calle codo a codo somos mucho más que dos..."
Mario Benedetti

Credito de imagem: Bea Sempere, "una amica italiana"















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