sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Guerra


Guerra. É o que está se vendo ontem e hoje pela televisão. Ao vivo. Cenas que põem filmes como Tropa de Elite numa sessão infantil de cinema. Agentes do Bope sendo transportados em tanques de guerra "iguais aos usados na Guerra do Iraque", enfoca a jornalista. E militantes das favelas fortemente armados e sendo filmados à distância. Os helicópteros não podem chegar muito perto para não correr o risco de serem abatidos - como aconteceu no ano passado. É a guerra brasileira, nosso pacifismo de fachada, escondido em algum morro do Rio. Ou daqui.
Tento entender os reais porquês enquanto o especialista em segurança passa as orientações para os bairros vizinhos. "A comunidade  já está acostumada," salienta ele, "mas o perigo se estende por mais de 1500 metros" ( que é a distância que pode ser percorrida pelas balas em uso). O Brasil pára ver para ver sua própria guerra interna. E, como nas melhores guerras, comandada de longe por seus "co"mandantes. E não foi sempre assim? Ou alguém viu algum "cabeça de guerra" sair de seu domínio para dominar o mundo?
Teve um tempo que tive medo de polícia. Ainda tenho. Parecem que estão sempre intimidando, usando de seu poder para nos fazer calar ou parar. Mas não vou negar que senti uma certa admiração pelo grupo de ontem, por toda aquela movimentação. Exército, Marinha, Bope, todos os poderes, juntos. Fora os que devem chegar, reforço esse que vem de vários estados do país. Seria orgulhoso, não fosse as razões torpes e minha pena em relação aos moradores, os verdadeiros prisioneiros desta história. Seria interessante de ver, não lembrasse eu da quantidade de homens lutando contra a dita "lei", em números quase iguais. Que vida é essa que levam essas pessoas que não vêem outro caminho que não seja o do crime?
É, mas essa história vem de longe e vai longe, apesar das rezas de tantas e tantas mães. Duvido que alguma apoie isso. Seriam eles, então, filhos desgarrados. Que futuro se espera disso? Que filhos virão dai? Então lembro do Carnaval que, tirando as tantas histórias não muito glamurosas que tem por trás, ainda junta muita gente em prol de algo bom.  E dos trabalhos de voluntários, tantos, quase nunca reconhecidos. Poderíamos ter um fio de esperança?
Falando em filho - e tentando de alguma forma relaxar - o meu entrou de férias. Muitas mães, como eu, arrepiam só de pensar. O meu, já quase um homem formado, interrompe meu raciocínio matinal pedindo café. Perco as estribeiras e o texto quase pronto. Voou levando meus melhores pensamentos. E eu, que podia ter feito disso uma guerra, levei em conta a dos outros. Meu filho está em casa, são e salvo, de balas e de más ideias. O máximo que pode acontecer é ele reclamar que "não tem nada para fazer'. E isso, mãe que é mãe, já está acostumada. Melhor nem lamentar...

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