domingo, 14 de novembro de 2010

Menos um



Às vezes, para mim, final de semana cansa mais que o ínicio dela. A casa fica "cheia", movimentada, um entra e sai, como se todos tivessem "pulga na bunda". E eu que fico com elas atrás das orelhas.  Três  - pessoas, não pulgas - que parecem que viram seis. Ou mais. E acumulam-se tarefas - para as mulheres, melhor esclarecer. A de mãe, que se junta com a cozinheira, que vira a arrumadeira para que a casa continue habitável. E, claro lava os pratos ( e talheres e panelas e coisa e tal). Acho que pensam que as louças são auto limpantes. Bom se fossem. Não teria tanta alergia. Nem faria  tanto barulho. Nem desperdiçava ,eu tempo e a torneira, água. Casa ecológica e sustentável: eu me sustentaria, fácil, fácil, de bom humor. Agora sei de onde vem a raiva de cozinha da minha mãe. Imagine. Cinco filhos. E eu reclamando com um só. Cinco pratos, cinco copos, cinco bocas a alimentar. O meu nem parou em casa. Bom se tivesse avisado com antecedência. Nem teria feito compras, nem ao menos pensado no cardápio. Nem passaria pela minha cabeça tal chatice - o que já seria uma espécie de férias. Mas bastou parar  para não parar mais de pedir coisas. Principalmente atenção. E a mal acostumada massagem nos pés. À nós, resta ser mãe quando se lembram. Ou precisam. E nem sempre a nossa cabeça está disponível.
Nem sempre  a cabeça está no lugar.
Engraçado essas coisas. Quando se tem mais tempo parece que não dá tempo de nada. Ou deve ser porque imendei uma tarefa na outra, sem nem dar tempo do dia respirar. Sem nem dar tempo para mim. Com mais tempo livre, pensei mais em ler para me preparar para meu curso. O que não combinou  muito com o sol lindo lá de fora. Mas, enfim, a leitura era necessária. E foi providencial. Preencheu meus vazios. Ou as duas coisas. Ou porque sei bem o que quero para mim. Quando a gente está despedaçada, fica difícil catar os cacos e fazer deles coisa boa. Não sou muito boa em mosaicos.
Chegou a noite, para meu alívio. A casa quieta. Só o barulho das teclas e os suspiros do cão. Lembro que amanhã tem mais. É feriado. Dia de descanso. Mas para quem? Logo, logo o dia me chama para fazer o café, faça chuva ou faça sol.
Passou mais um dia e  nem lembrei de viver...Devia ter ficado um tempo vendo o tempo passar...


Se me fosse dado um dia, outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
(Tempo, Mario Quintana)

2 comentários:

  1. E a Sônia?
    Deixa alguma coisa prá ela fazer...
    MEG

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  2. Minha irmã, se deixar três dias a casa sem um trato , ninguém entra! Nem a Sonia...Deve ser por isso que ela está comigo a mais de 15 anos...

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