sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Novidade?







Falando em bulling, palavra que virou moda (será porque é "estrangeira"?), esse tipo de preconceito e maldade já existe faz tempo. Bulling , descobri, vem de bulli, ou "valentão". O famoso prevalecido. O que usa de sua força - física ou popular - para maltratar outros. Para menosprezar o outro, torná-lo menor. Ou um nada. Isso deve ter fundo de maus tratos em casa. Pode ser um mero repasse. Ou vem de se achar um m.... Quem sabe de total falta de controle dos pais. Quem sabe desinteresse  por parte deles. Incentivo até, talvez. A literatura deve ter livros e mais livros sobre isso. Nem vou perder o meu tempo tentando entender e muito menos explicar.
A coisa é antiga. Vem de longe. Eu sofri muito com esse tipo de atitude nos tempos de escola. Desde cedo. E, triste constatação, começou quando entrei numa escola particular por ter merecido uma bolsa de estudos (depois de umas férias todinhas estudando, diga-se de passagem). E por meninas, as ditas "colegas de sala". Colegas, pois sim...Um grupo terrível de três meninas " da alta sociedade" que destratavam à muitas como eu sem motivo aparente. Ou exatamente por isso. Não nos parecíamos com elas. Pelo menos , imagino, era o que pensavam. Ou com duas: a outra era saco de pancada. A  conhecida "maria vai com as outras". E, aviso: a mágoa fica. A coisa dói. Deixa-nos impotente. Posso até dizer que traumas ficam. E, pensando bem, para toda a vida.
Eu tinha meus recursos. Tinha uma outra ' leva' de meninas que gostava de mim. Fora as freiras do colégio, que me tratavam bem por ser a "poetiza" da sala. Cuidavam de mim como se eu fosse um tipo de 'mascote'. E as diferenças não paravam por ai. As amigas protetoras em questão eram mais evoluídas. Como "pessoas" ( aulas de inglês, dança, violão, tênis - essas tais que eu assistia e fazia bonito nas quadras...). E como "mulheres". Eu ainda brincava de boneca (fiz isso até os 15 anos...), enquanto as outras já faziam bebês . Sentiram o drama?
Pois é. Palavras viram moda. Claro que não se pode comparar - acho - as vivências de hoje com as de outrora. As minhas brigas eram "de boca". Hoje são de corpo. Fico horrorizada ao ver meninas se atracando feito moleques de rua nos pátios das escolas. Ou meninas sendo agredidas por serem "diferentes". A exclusão a céu aberto e conta escancarada. A escola mostra sua impotência frente à impunidade das leis e à falta de controle que vem de casa. Pois é. Bulling é coisa de sempre. Foi-se deixando passar o tempo. Nunca foi resolvido e só tende a piorar.  
E parece que é justo na escola que a violência mais cresce. Fico indignada - envergonhada até -  vendo professores sendo destratados. Agredidos, para se falar bem a verdade. Isso é falta de educação que vem de berço, sinto dizer. É falta de base. E é coisa nova. Não é mais do rico ridicularizando o pobre. É briga de iguais. Combina com essa geração de puro consumo. E vem de toda parte. Recebi uma pesquisa que mostra que as meninas de Classe C (quem é quem?) gastam 72% de seu orçamento em moda. Essa "moda" que vêem nas novelas e revistas de toda ordem. Nas imagens que buscam na Internet. Na "patricinha" da vizinha. No que vêem nas vitrines dos shoppings. Talvez o bulling seja uma forma de se auto-afirmar. De se sentir alguém. Inserido em algo.  Nem que seja algo podre.
Bons tempos em que se levava maçã...

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