terça-feira, 16 de novembro de 2010

Minha Marilyn



Hoje é aniversário de minha mãe, e mais uma vez não vou poder abraçá-la. Está longe. Foi ter com sua irmã e outros tantos parentes dos lados de lá. Está nas terras das árvores petrificadas. Ou tomando chimarrão com alguma prima mais chegada. Talvez tenha ido festejar com outros, mudar de ares. Ou apenas sair do de sempre, bem provável.
Lembro bem dessas  visitas. Cheiro de fogão à lenha e de carne ensopada. Cama cheia de cobertas, galo a cantar na madrugada. Manhãs frias e grama molhada. A casa de bonecas, a roda d'água. As longas caminhadas. E um come aqui e come ali que fazia parte de cada entrada. De bolo de fubá a goiabada.
Do aniversário de minha mãe não esqueço nunca. Nem dia - fácil, após o 15 de novembro, feriado. Nem da idade. É só saber um pouco de matemática básica. São 30 anos a mais que eu. Não dá para esquecer, nem que se queira. O passar dos anos é implacável. O das horas, também.
Idade é uma coisa que a gente só guarda a nossa - e de vez em quando me pego refazendo as contas para ver se não estou roubando, nem para menos e nem para mais. E dos filhos, no meu caso um. E é uma coisa engraçada. Quando se tem pouca, soma-se bem. Meu filho já vai fazer 16 anos. Sabe bem quantos meses - e talvez dias - faltam para tal data. Quando se tem muita, ou nos anos de números picados, esquece-se. Ou pelo menos não se fica dias  a contar a sua chegada. São dias a menos, não dias a mais, seria essa a  lógica?  E para a mulher, há, bela roubada...
Nada. Chego a uma conclusão , para mim, engraçada. O que se quer que chegue, contamos até minutos. O dia da viagem tão sonhada. Quantos faltam para a tão esperada férias. Quantos meses de namoro ( neste quesito, quando passam para anos, a coisa fica demorada...). Quanto tempo sem ver a pessoa amada. Não é que deu até rima não forçada?
Pois é, minha mãe , minha Marilyn, faz hoje mais um aniversário e não posso abraçá-la. Nem ligar, já que perdeu o celular. Não gosto de abraços intermediados. Então mando um por aqui, bem apertado. Porque de tanta rima? Ah, quem tem uma mãe poeta como eu, já faria disso uma bela homenagem...

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