segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Paz?

Não peguei a reportagem toda, mas pelo que entendi, um grupo de rapazes espancou um suposto homossexual no Rio de Janeiro - que foi salvo por vigilantes de edifícios vizinhos. Nem precisava pegar a  reportagem como um todo, porque as notícias me parecem sempre as mesmas, como se o tempo não tivesse passado. Ligar a televisão, hoje, não quer dizer necessariamente se atualizar. O que vejo, muitas vezes, é bem o contrário. Desatualiza-se. Como se as pessoas tivessem parado no tempo, entregue ás mesmices do passar dos dias. Tudo virou normal. O bem e o mal. E nem se dá conta disso.
E me pego pensando se a própria mídia brasileira como um todo - mais ainda a televisão que junta imagem, som  e movimento e pode mostrar o acontecimento na hora, em tempo "real", como uma grande escola de desaprendizado. E não só dos repórteres, já que a grande massa de pessoas virou um. Filma-se a cena, ao invés de tentar freiá-la. Raros são os momentos que se aprende algo que preste. E nesses raros, geralmente a lição está na crítica sobre esse ou aquele acontecimento.
Foi o que se deu hoje. A mim não faz diferença quem atacou quem. Faz diferença mais para quem viveu o momento. Mas me peguei vendo cada lado da notícia. A mãe de um dos meninos - todos, bons estudantes de boas escolas particulares, moradores de bom bairro, e como a mãe mesmo disse, bons meninos. Que juntos viraram maus.  "Eu dei amor", diz ela, como se isso bastasse. Falta base. Falta controle.
Falta pulso, bem sabemos. Sobra mimo. Mimo que paga a culpa de termos menos tempo dedicado. Tempo que valha a pena, não o do passar das horas.
 A  história conta e a psicologia explica.  A psicóloga em questão, entrevistada sobre o assunto em pauta, falou duas grandes verdades (sim, verdades, porque concordo e, portanto, denomino-as como tal). Uma a de que em grupo a coragem se multiplica. Outra de que em grupo a responsabilidade se divide. Seriam meras conjecturas matemáticas não fossem tão verdadeiras, tão óbvias. Jovens - e adultos também , e até crianças, infelizmente - transformam-se quando em grupo. Viram machos - mesmo se tratando de meninas. Bando. Animais  na luta pelo "nada". Ou pelo tudo que imaginam ser . Por medo de não ser mais um, vergonha  de não serem iguais ou puro encorajamento, não sei. Viram algo sobre o qual nem sempre eles mesmos tem controle. Vão na onda. No embalo. Ou sabe lá como se diz isso hoje. É o bulling ganhando as ruas, e não só as de periferia. A violência não faz distinção de classe. Nunca fez.
Mais do que ver esse tipo de notícia, que me preocupa, gosto de entender. Entendendo, faço meus ensinamentos ganharem corpo. Chamo meu filho, ali, na hora, e  "puxo a orelha" , aproveitando a  ocasião. Porque ser mãe é isso. É até entender se a coisa acontecer. Mas não pode ser acusada de não ter alertado.

PS.: em tempo me avisam que o fato se deu em São Paulo, em plena na Avenida Paulista. O caso do Rio foi bem outro, possivelmente provocado por policiais. E quando falo de bulling, na verdade estou generalizando toda e qualquer violência  - truculência - desse gênero. De mostrar o poder. Até coloquei um ponto de interrogação no título. Paz, aonde?

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