quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Pesadelo



Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece...
Mas, e mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!
Confissão, Mário Quintana


Acordei hoje com essa sensação. Suave por fora, tremendo por dentro. Tive sonhos impensáveis, fui despertada na madrugada pela minha síndrome - que não me visitava fazia tempo. Acordou-me de solavanco. Apeguei-me aos santos e rezas até que meu coração acalmasse. E me apego às palavras aqui tecladas para ver se me entendo. Se me advinho. Se me exorcizo.
Pode ter sido só uma noite ruim. Como pode ser meus fantasmas querendo sair. Os fantasmas das coisas que vamos levando e nem percebemos como crescem dentro de nós. Criam raízes. E muitas vezes daquelas traiçoeiras, estrangulantes. Parasitas, sim, mas que podem aparentar linda for.
Minhas parasitas são as coisas mal resolvidas, os sapos engolidos a seco. As inseguranças do caminho. As situações guardadas em segredo. Mas são também meus medos. E esses são tantos...Eu que me dizia corajosa, já me pego pensando que não. Acho que meu maior medo é não poder me ser como quero. É não poder ser como sou. É deixar de batalhar pelas coisas que acredito, coisa que tenho feito a tantos e tantos anos. É o medo de que a minha criança interior seja dragada pelo passar dos dias, pela espera de ser feliz, e eu vire uma mulher infeliz. Que não tenha mais sonhos. Seca por dentro. Morta. Feito árvore que cai depois de um temporal, assim, sem avisar. Apenas cai.
Apego-me ao amor. Ao que fiz - e faço - em nome dele. Apego-me a essa sensação que me alivia de ter feito - e estar fazendo - o meu melhor. Se meu sorriso não veio hoje - ou pelo menos até agora - com certeza virá. Não sou mulher de remoer mágoas. Nem que seja por ter desabafado. Nem que seja por ter entendido. Ou tentado. Nem que seja por saber que a vida tem muito ainda para me dar. Bem mais que noites mal dormidas.
 Mas, se eu fosse Clarice, a Lispector, falava que estava só cansada...

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