segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Revisão



Já estamos no final de Novembro. Logo , logo chega Dezembro. Meu mês - e do Natal, e do final de ano, e da correria e do tamanho estresse. Das festas das empresas, das confraternizações com os colegas, das tantas e tantas comemorações. Das compras de última hora, de cumprir as promessas das primeiras horas do primeiro dia do ano. Mês de agenda cheia e de saco de paciência vazio.
Nossa, como Dezembro cansa. Aliás, o ano já chega aqui cansado. Afinal, foram longos 11 meses passados, bem ou mal - quem dera "no ponto". Foram mais de 300 dias de correria. Do tudo ou do nada. De levanta, vive e deita. Nem tem graça fazer aniversário . Ou estaria ai mesmo toda a graça?
Engraçado isso, dividir o ano em meses, os meses em dias, os dias em horas, estas em minutos e eles em segundos, e vai por ai a fora. Tudo bem divididinho, irmanamente, tudo igual para não dar briga, feito coisa de criança. Isso para o "Senhor do Tempo" porque, na prática, os dias passam diferentes. Os alegres passam rápido, os tristes atravancados, pesados. Os mais ou menos, só passam. Uns ficarão gravados - e geralmente por coisas ruins. Outros ficarão na'lma. Falo deles, os felizes. Os marcantes. Como se suas páginas fossem perfumadas. Coloridas. Sei lá: cor e cheiro de laranja, posso assim definir.
Mas nem preciso rever para constatar. Eu não tive um ano morno. Não tive o conforto de dias amenos. Estes eu deixei passar. Vivi como pude os dias gélidos, mesmo que hibernando feito urso polar. E outros, navegando, como os dias de pleno verão. Dias de tirar o barco para velejar. Dias de viajar, seja tempestade ou calmaria. De conhecer terras e mares. Novos ares. Dias de viver. Dias de enfrentar. Seja qual estação. Outono, inverno, primavera ou verão. Seja qual o lugar. Dias que fui e nem deu vontade de voltar...
Carlos Drummond de Andrade tinha razão:
" Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial....Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente".
O ano já passou e eu bem sei onde quero ficar..

























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